25.11.05

E agora, jcd?

"Considero que os militares chilenos agiram corretamente eliminando os extremistas de esquerda e reestabelecendo a ordem, mas não podemos esquecer que nem todos os desaparecidos desapareceram dessa maneira. Houve também abusos da parte dos militares e pessoas supostamente não ligadas a atividades de extremismo de esquerda também perderam a vida - o que é condenável. Uma coisa é ser um extremista, ter recebido treinamento de guerrilha, portar armas contrabandeadas de Cuba e praticar atividades revolucionárias. Outra coisa é ter idéias, posições ideológicas, crenças ou convicções... mas sem passar às ações. Aplaudo a eliminação dos extremistas, terroristas e outros criminosos da esquerda que agiram no Chile, mas condeno a eliminação dos que não fizeram nada além de manifestar suas idéias e convicções.

Abraços,
Claudio Téllez"



(Ver comentários ao post anterior).

8 Comments:

Blogger Claudio Tellez said...

Obrigado! Fiz uma referência no meu blog e aproveitei para postar o comentário na íntegra.

Abraços!
Claudio Téllez

5:23 da tarde  
Blogger AM said...

Parabéns pelo excelente início.

Apresentei este blog no :

http://forumsede.blogspot.com/

Um abraço
AMNM

5:26 da tarde  
Blogger Joao Galamba said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

5:33 da tarde  
Blogger Joao Galamba said...

Caro Luis (e caro Claudio),

Um dos meus melhores amigos em Londres (onde estudo) e filho de um ex-ministro do Allende e e actualmente senador no Chile (se o Claudio Tellez aqui aparecer, ele e o Sen. Fernando Flores). Do pouco que sei (reconheco que vou ter de ter mais conversas com o meu amigo) parece-me que o Claudio da uma visao algo enviesada da realidade chilena. Fala dos extremistas de Esquerda, mas esquece que antes da repressao "necessaria para manter a ordem" tinha havido um golpe de Estado da Direita. Quem e que interrompeu a ordem em primeiro lugar? Foi justificado? Apesar do Claudio dizer que de "via pacífica não tinha nada" isto parece-me manifestamente insuficiente(o que entende por pouco pacifica? expropriacao de terra ou esquadroes da morte, subida de impostos e nacionalizacoes ou tortura) para justificar o golpe de estado.
Nunca tinha ouvido que o Governo de Allende fosse uma ditadura Se tomou medidas inconstitucioanis gostava de saber quais foram e se estas justificam o regime brutal que se seguiu. O Claudio diz uma parte significativa morreu de armas na mao, mas isto so e um argumento se o Claudio assumir que o golpe de estado tivesse sido justificado

Claudio, pedia-lhe que elaborasse um pouco mais o seu comentario...

Cumprimentos aos dois
-peco desculpa pelo comentario "bicefalo"-

5:38 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Obrigado a ambos. O que começou por uma ironia parece ser o principio de uma boa discussão. A figura de Pinochet é extaordinariamente polémica, mesmo para a direita. Nos posts seguintes vamos também chamar a esquerda para esta conversa. Num blog tão novo não vai ser fácil mas eu vou tentar.

AMNM, vou pôr o seu link aqui ainda hoje. E agradeço-lhe a referência elogiosa.

5:45 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

João:

Não peça desculpa. Fique por aí.

6:19 da tarde  
Blogger Claudio Tellez said...

Caro João,

Dá para escrever um livro sobre o assunto. Sim, houve um golpe militar no Chile. Mas o Congresso chileno já tinha decretado a "inconstitucionalidade" do governo de Allende, apontando algumas das razões. O documento pode ser lido em http://www.liberalismo.org/articulo/298/60/.
Acredito que isso deixa claro quem interrompeu a ordem em primeiro lugar. Mas há mais material. O próprio processo eleitoral que levou Allende ao poder, inquestionável legalmente, é perfeitamente questionável legitimamente. Já escrevi em outra ocasião:

"No dia 8 de abril de 1971, o então presidente chileno Salvador Isabelino Allende Gossens discursou na abertura da Primeira Assembléia Nacional de Jornalistas de Esquerda. Na ocasião, disse que “a objetividade não deveria existir no jornalismo”, pois “o dever supremo do jornalista de esquerda não é servir à verdade, mas à revolução”. Durante o seu discurso, Allende delineou algumas estratégias a serem seguidas para o sucesso da revolução em curso: elevar a consciência política dos setores populares, intensificar a mobilização das massas para obter apoio às mudanças estruturais do programa da Unidade Popular e transformar em cooperativas as empresas de difusão jornalística. Na declaração final da Assembléia, exortou-se à “Operação Verdade”, que tinha por objetivo combater as campanhas informativas da burguesia através da defesa do Governo Popular, do estabelecimento de uma maior vinculação dos jornalistas com o processo histórico vivido pelo país e da luta ideológica como elemento essencial no combate à oposição.
(...)
A imagem amplamente difundida acerca de Salvador Allende é que ele foi um líder humanista e pacifista, eleito pelo povo através do voto democrático e violentamente derrubado pelas elites que viram seus interesses ameaçados pelas transformações sociais que ele promoveu no Chile. O que não se conta é que a violência política esteve presente nas resoluções do Partido Socialista chileno desde antes da eleição de Allende e que, durante o período de 1960 a 1973, o crime e o terror foram utilizados como meios contínuos de ação revolucionária, visando desestabilizar as “estruturas burguesas”. São palavras do próprio Salvador Allende, no dia 29 de junho de 1973:
“Convoco o povo para que ocupe todas as indústrias, todas as empresas, para que esteja alerta; que se volte para o centro da cidade, mas não para ser vitimado; que o povo saia às ruas, mas não para ser metralhado; que o faça com prudência e com todo e qualquer elemento que tenha em suas mãos [...] Quando o momento chegar, o povo terá armas.”

Recomendo, para o aprofundamento das questões, a leitura dos livros:

CLAVEL, P. (ed.). Los orígenes de la violencia política en Chile: 1960 – 1973. Santiago de Chile: Universidad Finis Terrae, Fundación Libertad y Desarrollo, 2001. 211 p.

CLAVEL, P.; RAMÍREZ, M.; DEL VILLAR, S. Los hechos de la violencia en Chile: del discurso a la acción. Santiago de Chile: Universidad Finis Terrae, Fundación Libertad y Desarrollo, 2003. Disponível em: http://www.lyd.cl/biblioteca/libros/ebook/hechos_violencia.pdf>

Devemos também recordar que Salvador Allende elegeu-se com cerca de 36% dos votos válidos e graças ao apoio do Congresso, condicionado à assinatura de um Estatuto de Garantias, segundo o qual comprometeu-se a respeitar a Constituição chilena durante seu governo. Quando foi entrevistado por Régis Debray, Allende confessou que assinou o documento apenas como uma estratégia para chegar ao poder, pois nunca teve a intenção de cumprir com uma só linha do que estava escrito.

Há documentação suficiente sobre o fomento de grupos paramilitares pelo governo de Allende, sobre o contrabando de armas de Cuba, sobre a realização de atentados (até mesmo antes de 1970).

Abraços!

12:00 da manhã  
Anonymous jcd said...

E agora o quê?

2:48 da tarde  

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