23.11.05

“O Fado persegue-me em sonhos!”: o testemunho intenso e comovedor de um rebelde Iraquiano levado para Bydgoszcz, na Polónia.

FA: Abdul-Aziz al-Zajir, quanto tempo esteve no cárcere secreto da CIA na Polónia?
Abdul : Seis, ou sete meses. Perdi a conta.
FA: E foi alvo de tortura nesse periodo?
Abdul : Todos os dias.
FA: Fale-nos desses momentos dolorosos.
Abdul : Ela... mal amanhecia, ela começava logo a cantar. Conhece “As rosas”?
FA: Não.
Abdul : (Faz uma pausa. Engole em seco. Depois entoa, com sofrimento)

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras…


FA: Mas… E a Convenção de Genebra? Não a aplicavam nessa prisão?
Abdul : Genebra não é na Polónia, é na Suiça. Em Bydgoszcz só se aplicavam fados. (Pausa longa) À tarde, ela mudava de estilo. Se estivesse mal disposta, escolhia “As asas”, por exemplo:

Eu quero lançar raízes
E viver dias felizes
Na outra margem da vida.
Solta os cabelos ao vento,
Muda em riso esse lamento…


FA: Por favor, Abdul, chega...
Abdul : Espere, que havia pior…
FA: Pior?!
Abdul : Há uma canção da Dulce Pontes…
FA: Oh, não!…
Abdul :

Linda ciranda
ciranda linda,
gira que gira e torna a girar;
Quando eu morrer
oh ciranda linda, deixa um luzeiro
para que o possa ver…


(Fica em silêncio. Imóvel e exangue)

FA: Abdul... Como é que você aguentou?
Abdul : Aguentar? Meu amigo, se eu pudesse explodia.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

¿Por qué no hablas un poquito del GAL y del secuestro y asesinato de Lasa y Zabala en 1.983, en la España socialista de la fecha?

9:26 da manhã  

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