28.11.05

Os crucifixos nas escolas.

As pessoas que defendem a manutenção dos crucifixos nas escolas costumam invocar um argumento numérico: a maioria dos portugueses é católica, logo, os outros terão de se sujeitar. É como se houvesse um partido católico com maioria absoluta que poderia governar o país religioso, por conta dos protestantes, muçulmanos, animistas e budistas, um pouco como o PS governa o Estado por conta do PSD, do CDS/PP e dos Barnabés. Ora isto é um raciocínio completamente oposto à natureza íntima da democracia, que deve garantir um módico de protecção das minorias. Não proponho que se retirem cruzes e coloquem meias-luas, evidentemente. O que digo é que se for legitimo usar um argumento de quantidade, ele deve ter um sentido oposto ao que invocam os defensores do crucifixo.