25.11.05

Pinochet: o liberalismo não compensa.



Anteontem de manhã um juiz chileno ordenou a prisão domiciliária do ex-ditador.

19 Comments:

Blogger Luis M. Jorge said...

Este homem foi um grande liberal:

Ele desregulamentou a economia.
Ele privatizou empresas do Estado.
Ele aboliu o salário mínimo.
Ele reduziu a despesa pública.
Ele privatizou a segurança social.
Ele baixou os impostos sobre a riqueza e sobre os lucros.

E agora, ele vai ser preso.

3:15 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Nota: o comentário anterior foi depositado na caixa de comentários de vários blogs "liberais". Espero que ninguém se tenha sentido ofendido ;-)

3:23 da tarde  
Blogger jcd said...

Não, mas o Claudio Telles vai responder. Esqueceste-te de dizer várias coisas, mas duas são particularmente importantes:

1. Despareceram cerca de 3000 pessoas durante o regime de Pinochet. Essa tua cabeça anda muito confusa. A falta de liberdade e a violência gratuita nada têm a ver com liberalismo.

2. O que havia (e há) no Chile era liberdade económica, apenas. Por isso, o Chile tornou-se no país mais rico da América Latina.

3:39 da tarde  
Blogger Claudio Tellez said...

Caro Luis,

"Todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente."

Pinochet sem dúvida foi responsável, ainda na década de 1980, pelo início das reformas que colocaram o Chile no caminho do liberalismo e da prosperidade - o que agora está ameaçado com a perspectiva da eleição de Bachelet. E Pinochet também foi, com os demais integrantes da Junta Militar, responsável pelo fim da experiência socialista chilena, que de via pacífica não tinha nada - já que o extremismo de esqueda cobrava vítimas no Chile pelo menos desde a década de 1960 e o governo de Salvador Allende tornou-se inconstitucional.

Por outro lado, a questão das contas milionárias no exterior ainda não está suficientemente esclarecida. Apesar das conquistas citadas acima, Pinochet não é imune às acusações de corrupção, que considero que devem ser devidamente averiguadas e, se for o caso, aplicadas as sanções previstas em lei. Os acertos não apagam os erros.

Ao mesmo tempo, dessas 3000 pessoas desparecidas citadas em outro comentário, pelo menos dois terços "desapareceram" de armas na mão, lutando contra os militares. Guerrilheiros, extremistas, muitos estrangeiros que foram fazer, no Chile, a sua "revolução" e que enfrentaram o exército. Considero que os militares chilenos agiram corretamente eliminando os extremistas de esquerda e reestabelecendo a ordem, mas não podemos esquecer que nem todos os desaparecidos desapareceram dessa maneira. Houve também abusos da parte dos militares e pessoas supostamente não ligadas a atividades de extremismo de esquerda também perderam a vida - o que é condenável. Uma coisa é ser um extremista, ter recebido treinamento de guerrilha, portar armas contrabandeadas de Cuba e praticar atividades revolucionárias. Outra coisa é ter idéias, posições ideológicas, crenças ou convicções... mas sem passar às ações. Aplaudo a eliminação dos extremistas, terroristas e outros criminosos da esquerda que agiram no Chile, mas condeno a eliminação dos que não fizeram nada além de manifestar suas idéias e convicções.

Abraços,
Claudio Téllez

3:53 da tarde  
Blogger jcd said...

Eu não disse? :)

3:56 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

jcd:

Quem ler o João Miranda ultimamente arrisca-se a pensar que lá no vosso blog não se importam muito com a "violência gratuita", desde que o Estado não intervenha da economia.

Eu estou a mostrar o que acontece quando se leva a defesa de um único princípio até ao limite. No vosso caso é o princípio da "liberdade económica".

No caso deste post (que obviamente é uma caricatura sarcástica a algumas posições de extrema-esquerda) é o princípio de que o liberalismo está necessariamente associado à opressão.

Não partilho de nenhuma dessas opiniões, mas gostei que tivesse reagido com tanta rapidez.

3:59 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Cláudio, concordo inteiramente consigo. E passo a explicar o seguinte:

Este meu post está enquadrado numa polémica que tem ocorrido entre vários blogs a respeito de uma questão: será que o liberalismo é compatível com atitudes de intolerância extrema? Alguns artigos do "blasfémias", que deve conhecer (link aqui ao lado) sugerem que sim.

A polémica foi despoletada por reacções de homofobia, posteriores ao beijo que deram em público duas alunas de uma escola do norte de Portugal.

Não lhe vou contar em pormenor tudo o que se disse a esse respeito.

Com este meu post, que é muito irónico (nunca é demais frisar) pretendi apenas mostrar-vos aquilo que sinto a esse respeito: que a ausência de intervenção do Estado não pode ser o único pilar de uma ideologia liberal.

Isto vale o que vale.

Mas agradeço o seu post, muito educado e esclarecedor.

4:09 da tarde  
Blogger Claudio Tellez said...

Caro Luis,

Tenho acompanhado a polêmica, mas só superficialmente - ando um pouco atarefado e até a próxima semana não conseguirei participar com a devida dedicação das discussões que estão acontecendo.

Aqui no Brasil, vivemos recentemente um episódio semelhante com duas alunas da USP (Universidade de São Paulo).

E sim, concordo, a ausência da intervenção do Estado não pode ser o único pilar de uma ideologia liberal. Um arcabouço ético e moral é essencial para o bom funcionamento de uma sociedade que se pretenda liberal, pois as pessoas têm de ter consciência de que são responsáveis pelas suas ações. Citando Hayek:

"Liberdade não significa apenas que o indivíduo tenha tanto a oportunidade quanto as fronteiras de (sua) escolha; significa, também, que ele deve carregar as conseqüências de suas ações e receber tanto prêmio quanto punição por elas. Liberdade e responsabilidade são inseparáveis."

Grande abraço!
Claudio Téllez

4:16 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Não diria melhor, Cláudio.

Um abraço também para si.

4:18 da tarde  
Blogger jcd said...

«será que o liberalismo é compatível com atitudes de intolerância extrema? Alguns artigos do "blasfémias", que deve conhecer (link aqui ao lado) sugerem que sim.»

Algo me diz que não tem lido com muita atenção o que se escreve no Blasfémias...

10:57 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

"Algo me diz que não tem lido com muita atenção o que se escreve no Blasfémias..."

Algo me diz que tenho, jcd. Em relação ao caso das duas raparigas de Gaia que despoletou a vossa recente discussão sobre liberalismo e tolerância, recordo-lhe brevemente que duas raparigas se beijaram em público, foram chamadas ao conselho executivo, e moralmente condenadas pelos responsáveis da escola (estou a simplificar a história mas não creio que lhe esteja a ser infiel). Na minha opinião isso foi o exemplo de um execício de intolerância por parte daqueles profissionais.

O que é que o seu blog disse a esse respeito? Duas coisas:

1- "é preciso lutar pela tolerância em relação às minorias homofóbicas. Até porque elas nunca vão para além do mero exercício da liberdade de pensamento e de expressão. "

João Miranda, 19.11

2 - "Não tenho desejo em conviver com pessoas que constante e compulsivamente pretendem exibir a sua predilecção sexual, buscando qualquer pretexto, por mais frágil que seja, para se vitimizarem até à exaustão."

Ou seja perante um exemplo de intolerância o seu blog colocou-se ao lado, não das vítimas, mas dos executores. No primeiro caso porque os opressores o eram "apenas" verbalmente (o que não é verdade, a acreditar nas notícias que vieram a público na TV, há dois ou três meses, sobre perseguições fisicas de "esquadrões" anti-gay na região de Braga). No segundo caso, e metendo a talhe de foice uma manifestação gay que nada tinha a ver com o caso das duas raparigas, o CAA achou muito estranho que as vítimas... se vitimizassem.

Pelo contrário, jcd:

Acho que tenho andado a ler muito bem o seu Blasfémias.

12:33 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Errata: a citação nº 2 é do CAA no mesmo dia.

12:34 da manhã  
Blogger Joao Galamba said...

Luis,

Muito bem e na Mouche! De facto as diferentes atitudes da direita mais conservadora, apesar de "liberal", ficaram bem patentes na escolha dos temas da ultima semana. A tua observacao do "por-se ao lado dos executores" e uma excelente observacao. Nao importa tanto que haja excessos dos tipos da LGBT,mas sim que FACE a mais um exemplo de intolerancia, eles terem tomado uma posicao que e mais reveladora do o conteudo particular de cada post.

5:04 da tarde  
Blogger jcd said...

«Acho que tenho andado a ler muito bem o seu Blasfémias.»

Cada vez estou mais convencido que cada um só lê o que quer. O que as suas 'análises' mostram é uma de três coisas:

1. Não leu;
2. Leu e não compreendeu;
3. Está-se nas tintas para o que leu porque acha que já sabe o que por lá se diz e por isso interpreta como quer e vai buscar umas frases soltas para ilustrar o seu preconceito.

j.

8:56 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Está a ser injusto e arrogante nas suas acusações, jcd. Como calcula, não vou cometer o ridículo de comparar consigo nem o meu grau de alfabetização, nem o meu quociente de inteligência. Mas quanto aos "preconceitos", pode ter a certeza que não recebo lições, nem de sí nem do seu blog.

Um pouco menos de empáfia não lhe ficaria mal.

3:29 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

E já agora, quando ficar mais calmo espero que tenha a honradez de me pedir desculpas pela sua incorrecção.

3:32 da manhã  
Blogger jcd said...

Caro Luís, a sua interpretação do que se disse no Blasfémias está totalmente errada.

«Ou seja perante um exemplo de intolerância o seu blog colocou-se ao lado, não das vítimas, mas dos executores.»

O que se defende no Blasfémias, muitas vezes, é o direito dos intolerantes a serem intolerantes, desde que essa intolerência não diminua o espaço de liberdade de teceiros.

A razão porque algumas pessoas se sentem incomodadas com o comportamento dos outros não me interessa. O Luís não se despe em público no Rossio, pois não? E porquê? Porque está a interferir com a liberdade de outras pessoas cuja cultura/hábito/religião/crença não os predispõem a aceitar que haja pessoas despidas na rua.

É por isso que ensino os meus filhos a não falar alto na rua, não correr nos restaurantes, não sujar as ruas e a não dizer palavrões, porque a boa educação é uma maneira de dignificar a liberdade dos outros cidadãos.

É isso que sempre defendi, que a nossa liberdade está limitada ao espaço de não violação das liberdades dos outros.

E por isso também sempre defendi que devemos ser tolerantes perante os intolerantes. E isto é ser bastante tolerante com a comunidade gay, porque não deve haver por aí comunidade mais intolerante do que eles.

Quando às desculpas, tendo em atenção que os seus adjectivos são muito mais violentos que os meus, acho melhor ficarmos por aqui.

Cumprimentos e um bom Domingo.

1:33 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

"O Luís não se despe em público no Rossio, pois não?"

Não jcd, mas já vi gente despida no Rossio e, como não gostei, olhei para o lado e segui em frente. Até hoje não me parece que alguém tenha limitado a minha liberdade por se despir em público. Pelo contrário, em algumas situações encorajou-a. Quanto ao facto de a comunidade gay ser intolerante, deixe-me recordar que, segundo alguns posts recentes, para muitos liberais "os gays não existe". E depois, mesmo que exista, dizer isso é o mesmo que dizer que os padres são pedófilos: vale o que vale.

Sabe o que eu acho, realmente?

Acho que neste momento os liberais portugueses são prisioneiros da sua aliança com os conservadores. O facto de partilharem o seu espaço com a direita do PSD e com uma boa parte do CDS/PP leva-os a essa tolerância para com pessoas que são agressivamente não-liberais. Os homofóbicos são um bom exemplo.

Isso resolver-se-ia se os liberais se autonomizassem, criando estruturas próprias. Mas como não vai acontecer, creio que ainda vamos assistir a esse convívio relutante entre Chicago Boys e figuras autoritárias, durante muito tempo. O Chile foi um bom exemplo dos resultados desse convívio.

E já agora, jcd, não creio que os adjectivos que lhe dirigi tivessem sido em algum momento violentos.

Um bom Domingo também.

5:33 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Errata: em vez de "os gays não existe" ler obviamente "os gays não existem" ou "a comunidade gay não existe".

Por enquanto, aqui no blog falamos português e outras línguas europeias, mas ignoramos os rudimentos do crioulo.

5:36 da tarde  

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