25.12.05

Mais uma análise sóbria do estilo de Mário Soares.

Vasco Pulido Valente, ontem, no Público:

«Insinuam agora por aí que o dr. Soares foi "agressivo" e "malcriado" com o dr. Cavaco. Extraordinária coisa. Ou talvez não. Na terra do salamaleque e da curvatura, do "sr. dr." e do "sr. prof.", com certeza que não. Já alguém viu uma entrevista ou um debate na Inglaterra ou na América (e não em Espanha em que o governo controla a televisão)? Alguém reparou no que têm de aturar, e com boa cara, Bush ou Tony Blair? Ao que parece, o dr. Cavaco e os portugueses não gostam dessas democracias grosseiras. Preferem uma democracia empertigada, com muita prudência, presunção e língua-de-pau. E, claro, uma sociedade sem qualquer espécie de consciência de si, que chama "inverdade" à mentira e que acha a verdade geralmente ofensiva. Os piores paspalhões que, por azar, encontrei na política indígena subiram quase sem excepção a altos lugares. Não "saíam do seu lugar" e não ofendiam susceptibilidades. Milagres do "respeitinho". Portugal nunca se deu bem com a liberdade.»

Nada é tão útil como o óbvio.

2 Comments:

Blogger _Slow_ said...

Que alívio ler o Pulido Valente!

...e a ti também :)

10:41 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

É, ele não escreve malzito.

8:15 da tarde  

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