15.12.05

Porque é que a Caixa Geral de Depósitos será sempre pública e o liberalismo sempre residual no nosso país.

Agora que os candidatos presidenciais regressaram às catilinárias contra a privatização de "sectores estratégicos" como os transportes, a energia ou a água, talvez seja boa ideia perguntarmos: porque é que ninguém defende a privatização total do maior banco português? Existem três tipos de motivos.

Primeiro, os motivos do "Centrão":

- Se a Caixa fosse totalmente privada, Armando Vara e a Celeste Cardona não seriam seus administradores.

- Os fundos de pensões não seriam transferidos para a Segurança Social, engrossando as receitas fictícias que permitiram ao Ministro Bagão Félix disfarçar o défice.

- Os nossos governantes não podiam financiar, em caso de necessidade, grandes obras públicas de rendibilidade duvidosa como a OTA ou o TGV.

- Acabavam-se as ilusões sobre a nossa "política económica" que é, como sabemos, competência de Bruxelas.

Em segundo lugar, os motivos da Esquerda:

- Privatizar a Caixa seria dar mais poder a alguns ricos. E os barnabés portugueses não combatem a pobreza, combatem os ricos.

- Seria também enfraquecer os sindicatos, que devem a sua "aurea mediocritas" à dimensão do Sector Publico Empresarial. Nenhum sindicalista português sobreviveria muito tempo sem a protecção do Governo.

Finalmente os motivos da Direita:

- Privatizar a Caixa, num país da União Europeia, era arriscar a que ela fosse comprada por um banco estrangeiro. Alguém imagina os danos que um Citigroup, com metade do nosso sector financeiro nas mãos, poderia infligir a concorrentes como o BES, o BPI ou aos doces salazaristas do Milénio BCP?

Os nossos banqueiros são os grandes interessados em que Portugal mantenha a sua Caixa Geral de Depósitos pesada, perdulária, dirigida por ineptos e dominada pelo poder político. Assim, podem ir corroendo a pouco e pouco a quota de mercado do maior banco português, sem pressas nem ostentações, e até com o suave beneplácito de um ministro ou outro. Afinal, a nossa direita aprendeu tudo com o corporativismo.

De resto, um banco público não serve para nada, a não ser para empobrecer um pouco mais a grande maioria dos portugueses.

4 Comments:

Blogger A.Teixeira said...

Seja bem regressado que regressa com um bom post.

Apenas tenho algumas reservas em relação ao 2º motivo que atribui ao "centrão": a operação de venda dos fundos de pensões não deve ser totalmente desinteressante do ponto de vista do banco, dado que o BCP já a propôs ao estado...

10:34 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

a.teixeira:

O BCP estava naturalmente ansioso por poupar uns trocos e fazer um bom negócio. E o governo estava ansioso por, em caso de necessidade, poder recorrer a uns argumentos "extraordinários". Juntou-se a fome com a vontade de comer. Quais foram as vantagens que o nosso governo deu ao BCP é que já não sabemos.

De qualquer modo esse negócio só ocorreu depois do da Caixa, e julgo que não teria acontecido sem o anterior.

12:08 da tarde  
Anonymous Henrique Trindade said...

"Ex.mo S.r"
Luis M. Jorge

RAIO DE ANACRONISMO!

Que raio faz o B. Félix aqui com
"- Os fundos de pensões não seriam transferidos para a Segurança Social, engrossando as receitas fictícias que permitiram ao Ministro Bagão Félix disfarçar o défice.
"

Paea o caso de o sr. não saber, esse senhor já não "pia" no governo desde que o PS ganhou as últimas eleições legislativas.

"Postou" isso a 2005-12-15, ejá lá vão uns mesetos que o Senhor Primeiro-ministro se chama José Sócrates, que, para além disso é Secretáro Geral do PS.

Santana Lopes não foi fazer - com muita pena - companhia a Durão Barroso, mas já não manda em Portugal.
Nem sei se estará por cá, ou a fazer conpanhia aos seus amigos Portas e Bush!

Henrique Trindade

10:56 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

E então?

12:33 da manhã  

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