15.12.05

A produtividade francesa e a demagogia portuguesa.

A estatística é um perigo nas mãos da nossa patética esquerda. Rui Pena Pires (link no título deste post), por exemplo, descobriu entusiasmado que a produtividade por hora de trabalho é maior em França do que nos Estados Unidos ou em outros países que desprezam o "modelo social europeu". Conclusão miserável: "Precisamos, urgentemente, de emular a França".



O que Rui Pena Pires se esquece de dizer, entre gritinhos histéricos, é isto:

- a França tem 10% de desempregados, enquanto os Estados Unidos têm 5%.
- o desemprego nestes países atinge principalmente os sectores em que há profissionais com menores qualificações.
- os profissionais menos qualificados criam menor valor numa hora de trabalho do que os mais qualificados.

Logo:

Quem tem maior desemprego ganha automaticamente uma vantagem estatística, porque os habitantes que conseguem trabalhar são mais qualificados e produzem mais. Ou seja, a "eficiência" francesa é decorrente da exclusão de uma boa parte da população activa.

Mas numa coisa a pobre cabeça de Rui Pena Pires acertou em cheio: nós vamos, urgentemente, "emular a França". Os 10% de desempregados estão mesmo ao virar da esquina.

4 Comments:

Blogger Joao Galamba said...

Optima analise, com um senao. E se o desemprego em Portugal for de malta qualificada? Lembre-se dos Licenciados...

Ha duas hipoteses: (1)crescimento economico induzido por inovacao que absorvesse o desemprego ou (2) Liberalizacao com flexibilizacao do mercado laboral que levaria a uma reducao respectiva dos salarios.

Os liberais mais optimistas acham que (1)depende de (2)e que nao leva necessariamente a reducao dos salarios. Talvez tenham razao, nao sei...

2:26 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

João: no caso a comparação era entre França e os Estados Unidos. Quanto a Portugal, sabemos que o desemprego atinge também na maior parte dos casos gente sem qualificação (não vou procurar as estatísticas mas já as vi). Isso não significa que não haja muitos recém-licenciados sem trabalho: só que eles são uma pequena parte da população activa do país.

Quanto à receita de que fala: a nossa legislação de trabalho não é tão rigida como se diz (comparada com a da França e da Alemanha não o é de todo).

A "indução" de inovação, dado que estamos em Portugal, sabe ode nos levaria: Otas e TGVs.

Agora não tenho tempo, mas em breve poderemos falar disso.

12:42 da tarde  
Blogger Joao Galamba said...

se tiver com pachorra para aturar uns putos, apareca na tertulia que eu e o Tiago Mendes estamos a organizar. Acho que vou ser o unico gajo de esquerda na coisa e, por mimetismo, posso dar por mim a elogiar os Americanos

1:16 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

João, você não sabe que idade eu tenho :-)
Obrigado pelo convite: se não for a essa, vou a uma das próximas.

5:21 da tarde  

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