19.12.05

A pátria amedrontada.

Em debate com uma simpática debutante do Partido Comunista, Manuel Alegre professa que "os portugueses têm medo". Isto será verdade? Não sei. Em primeiro lugar, porque conheço poucos portugueses. Os meus antepassados já viam a televisão espanhola, e por mim passo férias no estrangeiro, como em restaurantes italianos, tenho uma empregada moldava, colegas brasileiros, amigos que são, ou pelo menos parecem, um pouco extra-terrestres. Quando ocasionalmente saio à noite vou ao Lux, que fica, como sabemos, em Los Angeles.

Mas vamos presumir que eu conviva, ao longo de uma jornada, com meia-dúzia de lusitanos de gema, desses que apreciam o fado, a caça e a tourada, como o Manuel Alegre, o FNV e um punhado de outros tipos da Direita. Eles terão medo?

Aqui na Avenida da Liberdade, eu diria que não. É sem medo que os vejo a fazer o seu tuning com a Laura Pausini no máximo, em duelo com taxistas. Sem medo, reparo, atravessam a rua quando o semáforo fica verde, para os automóveis. Sem medo carregam de sal a comida, enfardam pudins à sobremesa, fumam dois maços por dia, embriagam-se no trânsito, atropelam-se com as barrigas e fornicam sem preservativo.

No seu lugar não me preocuparia com os portugueses, Manuel Alegre. Pessoas assim, que arriscam a vida todos os dias, nunca terão medo de votar em si.