29.1.06

Amizades literárias.

Jonathan Swift era amigo de Alexander Pope. Um dia, Pope foi visitá-lo com um amigo comum (o dramaturgo John Gay), e como soavam as oito horas o deão perguntou-lhes se queriam jantar.

“Já jantámos”, responderam ambos.
“Já jantaram? É impossível.”
“Mas é verdade, doutor.”
“Estranho. Mas, se não tivessem jantado, eu deveria oferecer-vos alguma coisa. Deixem-me pensar: uma ou duas lagostas? Sim, serviriam perfeitamente: dois xelins; tortas: um xelim. Mas não recusarão um copo de vinho, embora já tenham jantado, só para pouparem o meu dinheiro?”

Os dois amigos recusaram. Swift não se deu por vencido:

“Se tivessem jantado comigo, beberiam em minha companhia. Uma garrafa de vinho: dois xelins. Dois e dois são quatro, com mais um são cinco. Apenas dois xelins e seis pence a cada um. Pope, aqui está meia coroa para si, e outra para este senhor, pois estou resolvido a não economizar nada à custa de ambos”

Pope conclui: “Apesar dos nossos protestos, ele insistiu a tal ponto que acabámos por aceitar o dinheiro”.

Conheço esta história há anos, através de um calhamaço que tenho em casa. Hoje lembrei-me dela por causa do post anterior. Não sei se tem moral, nem isso vem ao caso.