29.1.06

João Pedro George contra as toupeiras.

Ontem li um protesto irado do João Pedro George, no Esplanar, contra a crítica literária jornalística de fachada e os textos que se escrevem em função dos favores, críticas que se cozinham como benesses e mesuras a amigos e colegas de trabalho.

Toda aquela indignação, confesso, abananou-me. E como tal, decidi tirar a limpo que vexame horrendo teriam infligido ao ânimo puro do João Pedro George.

Aparentemente o culpado do incêndio era o José Mário Silva, jornalista no DN, que resolvera compor um panegírico ao livro de um tal Nuno Costa Santos, amigo pessoal, colaborador no mesmo jornal, e seu comparsa na equipa que organiza o É a Cultura, Estúpido, a decorrer no S. Luiz.

O post do João Pedro George, aliás, teve a graça de dar azo a um diálogo picante entre celebridades. Pedro Mexia, Eduardo Pitta e Pacheco Pereira brandiram argumentos sobre o acesso aos media dos formadores de opinião.

Quem não reagiu foi o visado, o próprio José Mário Silva, que devia estar em casa a dedicar mais um poema a outro colega portentoso lá do jornal.

Enquanto me ria, decidi assistir ao Livro Aberto, do Francisco José Viegas - na RTPN. O entrevistado da noite chamava-se José Rodrigues dos Santos, escritor de renome e ex-Director de Informação - da RTP.

Apesar desta curiosa proximidade entre siglas, as palavras “favor”, “mesura” ou “benesse” não costumam ocorrer-me à mesma velocidade com que explodem no cérebro activo do João Pedro George. Por isso limitei-me a encolher os ombros e a visitar o site do programa, para tentar saber quem iriam convidar no próximo dia 11.

E olha, que engraçado: não é que vai ser o João Pedro George? O mesmo que lá esteve no dia 19 deste mês, a falar dos melhores livros de 2005.

João Pedro: eu começo a achar que você tem toda a razão. Isto, de facto, é muito pequeno.

7 Comments:

Blogger JPG said...

Caro Luís M. Jorge,
Francamente não percebo a ligação entre ir a um programa de televisão e a questão que levantei no Esplanar. Não é porque fui ao programa que deixarei de dar a minha opinião pessoal sobre quem muito bem entender, seja ele o Pedro Mexia, o Eduardo Pitta ou o Francisco José Viegas. Esta não é uma forma honesta de discutir o assunto. Apenas mais poeira para a confusão.
Cumprimentos,
João Pedro George

5:04 da tarde  
Blogger A.Teixeira said...

Não sei se entrarei a destempo porque, por aqui, parece que a polémica vai alta, mas vinha só anunciar-lhe que já lhe procurei responder ao seu comentário no meu post do Amadeus.

5:27 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Olá João,

Indo directo ao assunto acho que você falhou o alvo. Quis denunciar uma situação de favoritivismo, e acabou por se apoiar em argumentos circunstânciais (o tipo que trabalha no mesmo local, etc). Ora contra isso há duas pequenas objecções:

A primeira é levantada pelo Eduardo Pitta (que se calhar nem concorda comigo a este respeito), quando diz que se nós só falássemos de gente que não conhecêssemos, tinhamos de estar todos calados.

A segunda é que os argumentos circunstânciais se viram contra nós: em algum dia, em algum lugar, um colega há-de entrevistá-lo, ou um amigo diz bem de si, ou o autor de um programa convida-o duas vezes, e você é apontado a dedo no meio da rua como mais um "protegido" de uma capelinha qualquer. É impossível controlar estes provessos. E eu mostrei-lhe, com alguma crueldade, como é fácil virar o bico ao prego.

Repare: eu nem acho que o autor do programa "Livro Aberto" tivesse andado a aparar os golpes do Rodrigues dos Santos (o homem fartou-se de vender, e isso deve ser um bom motivo para o levar lá). Só que objectivamente ele promoveu o autor de um livro mau que ainda deve ser um homem poderoso na RTP. Haverá melhor terreno para um processo de intenções? E agora? Você, depois de ter dito mal de uns tipos do Diário de Notícias que fizeram a mesma coisa, vai deixar passar isto em branco quando ocorre na RTP? Ou vai chatear o Francisco José Viegas no seu blog? Acho que não vai, João. E ainda bem que não vai.

Mais interessante para mim, como seu leitor, teria sido vê-lo a desfazer a crítica que o Mário Silva faz ao livro do colega. Pelos poucos textos que li dele na internet, aquilo cheira a banalidade, mas sempre parece melhorzinho que o Rodrigues dos Santos. E no fim de contas, essa era a pergunta importante. O livro era bom ou mau? Se fosse bom, porque é que só os amigos falaram dele? E se era mau, porque é que alguém disse bem dele?

O resto são picardias um pouco ineficazes, num país em que todos se acotovelam e em que mais tarde ou mais cedo todos se conhecem. Temos que viver com isso, João. Ou então ir para Espanha comer churros e ler Suetónio. Não creio que exista uma terceira alternativa.

De resto gosto muito do seu blog, que leio sempre que posso, e tenciono aproveitar o facto de não ser seu amigo para dizer bem de si.

Cumprimentos,

Luis Jorge.

6:01 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Errata:

"É impossível controlar estes processos."

E não:

"É impossível controlar estes provessos."

Embora "perversos" talvez não fosse inteiramente mau.

6:04 da tarde  
Blogger JPG said...

A prática dos amigos escreverem sobre amigos não é algo circunstancial. É antes prática corrente. Ser convidado duas vezes para um programa de TV não tem nada que ver com a crítica. Não se trata de crítica. Será difícil de perceber isto? Além de que eu não sou amigo do FRancisco José Viegas. Simplesmente ele convidou-me para falar sobre o meu livro (adaptação da tese de mestrado) e, depois disso, pediu-me, na condição de sociólogo, para participar no programa sobre as escolhas dos livros de 2005. Se eu falhei o objectivo, se prestei um mau serviço à sociologia (e até acho que sim, embora tenha tentado colocar a questão decisiva no meio disto tudo que é a ausência de curiosidade científica por parte do meio literário, de tal vive autocentrado), isso é outra questão. Agora ir duas vezes a um programa de TV...? não vamos misturar as coisas. O programa não faz um juízo sobre os convidados. Os leitores é que o devem fazer perante a prestação do convidado. De qualquer forma, repito: não conheço o Francisco José Viegas, ou melhor, falei com ele as duas vezes que fui ao programa. Se julga que por causa disso eu vou deixar de criticar, quando assim se justificar, o Francisco José Viegas, lamento, problema seu. No futuro um amigo meu vai fazer-me o favor de escrever sobre mim num jornal onde ambos trabalhamos? Sobre isto remeto-o para os meus últimos textos: «É o que há» e «Amigos».
Cumprimentos,
JPG

8:36 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Eu não lhe sugeri que criticasse alguém (pelo contrário). Apenas lhe tentei explicar que tinha agora uma excelente oportunidade de viver segundo os seus princípios, ou então reformulá-los. As escolhas simples nem sempre são confortáveis. Mas você não precisa de mim para saber isso.
Felicitações pelo seu blog (são sinceras).

L.

9:00 da tarde  
Blogger NUNO FERREIRA said...

Toda a gente em Portugal escreve sobre e entrevista os amigos. Só não se entrevistam a si próprios porque não conseguem. Não há nada de novo...

1:24 da tarde  

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