30.1.06

José Mário Silva diz que só foi um mau crítico e um mau amigo.

José Mário Silva rejeita as farpas e mostra o texto da polémica, para demonstrar que não elogiou Nuno Costa Santos. É verdade que, como ele diz, o livrinho
estrutura uma aproximação à poesia que é sempre uma forma de sabotagem da poesia (ou, pelo menos, sabotagem da sacralização do sublime que ainda é bastante notória em muita da produção contemporânea).
Mas esta extravagância, insinua, tanto pode ser boa, como pode ser má (o mais provável é ser apenas incompreensível). Também é certo que José Mário Silva chama às bagatelas do seu amigo
versos de um lirismo sempre irónico – e por vezes ingénuo – (onde) não há pose, não há verve, não há um rasto que seja de solenidade.
Mas dizer isto, francamente, não é dizer que se gosta, nem é dizer que não se gosta. José Mário Silva nota igualmente os
vislumbres da beleza escondida das coisas ou (...) a nostalgia da infância nas ilhas
Mas caramba, até um açougueiro pode encontrar beleza em Almada, ou ter saudades do tempo em que borrava os cueiros e perseguia a Alzirinha. Finalmente, José Mário sublinha um trecho seu a denunciar
uma escrita arriscada e desigual, no fio da navalha, por vezes excessivamente rasa. Quase poemas de um quase poeta capaz de versos completos.
E isto, segundo o crítico, é uma coisa penosa, que não engrandece ninguém.

Ou seja, para resumir: José Mário invoca a seu favor que apenas fez a respeito daquela obra meia-dúzia de larachas ambíguas, obscuras e confusas, onde não vê motivo para grandes admoestações. E se o Diário de Notícias lhe paga para escrever banalidades esdrúxulas, ou os amigos lhe aprovam a esquivez e o cinismo, o João Pedro George não tem nada a ver com isso. (Eu cá, confesso, não queria ser amigo nem patrão do José Mário Silva).

Quanto ao João Pedro George, que gosta de sangue, não vale a pena procurá-lo num talho em Almada, porque ele está onde sempre esteve, de cutelo na mão a retalhar medievalismos. Eu não me meto mais com ele, apesar de me fazer bem ao Technorati. Só lhe desejo que não esqueça aquele assunto, quando for ao Livro Aberto.

8 Comments:

Blogger _Slow_ said...

um pouco confuso, não...?

Entretanto, a boa notícia deste dias, além da neve em Lisboa :), é a chegada do Vasco Pulido Valente ao Espectro, que agora fica ainda mais interessante. Aprende-se sempre com quem tem ideias e as sabe escrever como deve ser.

10:50 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Sim, o nivel estilistico da blogosfera melhorou muito de ontem para hoje. Ia falar nisso aqui. Quanto à escrita tens razão. É estranho como, apesar de tanta gente fazer blogs, é dificil encontrar uma página escorreira, honesta e independente neste vale de lágrimas. Se não forem os bloquistas contra os "liberais" são os amigos do programa contra os amigos do jornal. E mesmo os que protestam contra as capelinhas depois recusam-se a notar as misérias dos amigos. Sobre eles paira a sombra petulante do Pacheco Pereira, a investir contra os instalados. É preciso descaramento! Qual é a primeira vítima deste contexto miserável? O rigor analítico. A segunda? A qualidade da escrita. Em compensação não faltam cá poetastros, como este pobre Mário Silva. Mas esses sempre foram um mal nacional.

11:29 da tarde  
Blogger Filipe Moura said...

Luís, agora deixa-me fazer-te uma pergunta um pouco mais pessoal, se não te importas. Tu tens muitos amigos?

11:40 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

LOL! Vou tendo alguns, arquitecto, mas zango-me frequentemente ;-)

11:44 da tarde  
Anonymous José Mário Silva said...

Como é que sabias que eu vivi 20 anos em Almada?
;)

2:52 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Caramba, vejam só se não é o inimigo! Como é que eu sabia? Não sabia mas calculei: eu bem vos vejo a todos nessa pandilha do Jorge Mateus, que nunca me enganou. É o famoso Lobby da Outra Banda, sempre muito ocupado a papar jantares à custa dos jornais e a beber copos no Majong e no Baliza, enquanto fazem recensões para os livros uns dos outros. ("Vê lá se esta recensão está boa, Raínha" "É pá, isso não: então vais dizer mal do Costa Santos? Disfarça...") Que miséria. Agora só falta o Nuno Saraiva e o Fernando Bacorinho para a tristeza ser completa. Mas mim é que vocês não vergam. Eu cresci em Benfica!

2:30 da tarde  
Blogger pedro vieira said...

também eu pá, também eu, só não apanhei as quintas idílicas do Lobo Antunes

3:07 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Com 37 anos eu posso dizer que ainda apanhei as do Eça.

5:11 da tarde  

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