16.1.06

Os portugueses (retratos-robô): Bibito.

Bibito era um homem do mundo: conhecia Cancun, Tenerife, Porto Galinhas, Maceió, Salvador, Varadero, Porto Seguro, Recife, Punta Cana, Agadir, Formentera, Pipa e Natal. Mas entre os lugares maravilhosos por onde tinha veraneado, nenhum ofuscava Ibiza em amenidades locais. As gajas de Agadir também não eram más, principalmente se fossem monitoras do Club Mediterranée, mas Ibiza era o pináculo indiscutível do gajedo à solta, a grande coutada do macho mediterrânico, com uma bifa sózinha por baixo de cada guarda-sol. Só ela e o seu pito, ambos por massajar.

As estrangeiras, é bom esclarecer, não são totalmente idênticas às gajas do Rebordelo, ou de Miranda do Douro: são de uma espécie menos bojuda, têm menos bigode, mas possuem mais pêlo na região do sovaco, deslocam-se com um porte mais fino se não forem inglesas, e raramente comem carne, embora não desprezem um chouriço bem apaladado. Durante algum tempo ele andou viciado em brasileiras, depois enjoou-as. As brasileiras têm um lado mau e um lado bom, que são respectivamente o lado da frente e o lado de trás. As peidas, é verdade, têm muito que se lhes diga. Conheceu algumas nalgas brasileiras que até falavam com ele: moviam-se para cima e para baixo ao ritmo do pandeiro e do reco-reco, sussurando Bi-bito, Bi-bito, Bi-bito…

Em Ibiza, onde há vinte e cinco mulheres para cada voluntário, como no paraíso dos talibãs, as gajas vivem numa saudável concorrência liberal. Elas sabem que depois do almoço têm de arranjar um malho em três ou quatro horas, custe o que custar. Um tipo, mesmo que não seja paneleiro, deve saber afastá-las! São como leoas a abocanhar um boi-cavalo. Cercam um homem com branduras, mostram os umbigos, abanam os piercings e as tatuagens, deitam o cabelo para a frente dos olhos, põem-te a mão na perna como quem não quer a coisa, e dez minutos depois estão em cima de ti a foder alucinadas durante doze horas. Aquelas gajas são um perigo, pá. E é preciso ter cuidado com as doenças...

- Doenças? - perguntou o Xana, esgazeado.
- Sim. Agora há lá um surto, de tuberculose.

O Xana e o Barrote fixaram-no longamente, com indisfarçada inveja. Ali, no Rebordelo, nunca se ouvira dizer que uma foda desse cabo dos pulmões. Bibito olhou sonhadoramente para o ribeiro e saboreou a glória de arrebatar mais uma vez a imaginação daqueles irrecuperáveis patêgos.

Ah, as gajas de Ibiza… Nunca comera nenhuma. Mas tinham sido umas punhetas memoráveis.

13 Comments:

Blogger Will Powers said...

Bom dia

10:24 da tarde  
Anonymous pedro vieira said...

há que dizê-lo - o final é de antologia

10:45 da tarde  
Blogger on said...

Sublime. :)

11:08 da tarde  
Blogger /me said...

Que final... memorável...

9:34 da manhã  
Anonymous arcipreste cachondo said...

Las serranas de Alpedrete también tienen "bigode"

12:21 da tarde  
Blogger Claudio Tellez said...

Hahahahaha!!! Excelente caracterização, meu caro! Aqui no Brasil existe um verdadeiro "culto à bunda", algo que não consigo entender mesmo depois de mais de 27 anos por estas paragens...

12:23 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Clap Clap Clap

12:27 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Os leitores são gentis. Pronto, vou fazer mais.

4:55 da tarde  
Blogger hidden persuader said...

E ... em quem votaria Bibito? :)

6:38 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Hmmm... Acho que votava no "Morangos com Açucar", hidden.

7:09 da tarde  
Anonymous nemesio said...

Escreva mais, se não se importa claro. São Fantásticos estes retratos.
Parabéns! mesmo!!
Abraço

10:03 da tarde  
Anonymous nim said...

O final é de arripiar....é favor enviar aos blogs rosa

1:37 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Escrevo sim, Nemésio, mas a meu ritmo que isto dá trabalho.

Nim: como assim, "enviar aos blogs rosa"? Refere-se a política ou a orientações sexuais?

2:13 da tarde  

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