17.2.06

As Seis Leis e Meia do Franco Atirador (versão 1.0).

Ontem o Pacheco Pereira formulou no seu Abrupto algumas leis do debate na blogosfera, que estão mesmo a pedir para serem adaptadas a espíritos menos reverentes. É isso que faço aqui, com as Seis Leis e Meia do Franco Atirador. Ei-las:

1 - Um blog deve ser um instrumento do encantamento, da selvajaria ou do poder. Nunca, simplesmente, um instrumento da razão.
Este é um meio artístico, como são os cadernos de um escritor. Ou então, é uma ferramenta da estratégia política, como as anotações que o jovem Luis XIV fazia à margem da Guerra das Gálias. Quando um blog tenta reflectir em vez de persuadir, ou analisar e discorrer em vez de inspirar e sugerir, transforma-se num inenarrável bocejo.

2 - Um blog deve oscilar sempre entre a ordem e o caos.
Os blogs previsíveis aborrecem, os imprevisíveis desnorteiam. O leitor deve hesitar entre a antecipação e a surpresa.

3 - Um blog deve ser suficientemente independente para afastar os seus leitores. E suficientemente interessante para fazer com que eles regressem.
O desconforto é a pedra de toque de um bom blog. Ele resulta de se rejeitar a banalidade, mas só funciona enquanto não banalizar a rejeição.

4 - Um blog não deve fazer promessas.
Porquê? Para não recebermos as cobranças de quem não nos dá nada em troca.

5 – A principal distinção de um blog é a sua voz.
Não falo apenas do estilo. Falo do equilibrio entre o público e o privado. Falo também da sua intencionalidade. Os leitores não procuram a notícia, procuram o romance.

6 – Um blog é sempre dirigido a quem escreve outros blogs.
Já tentei escrever um blog para os amigos. Não resulta. Os meus amigos, com duas ou três discretas excepções, não me lêem. Eu lamento muito, mas compreendo: eles têm critério. E embora gostasse de lhes meter alguma coisa na cabeça, ao fim de todos estes anos, talvez seja melhor assim.

6,5 - Um blog é mais importante do que reconhecem os seus autores.
Isto não é bem uma lei, é antes uma máxima. E não concordo nada com ela. Passo duas ou três horas por dia a escrever tonterias, e a discutir com o Luís Raínha, mas é apenas por brincadeira. Não sou um agarrado, e consigo deixar esta vida a qualquer momento. Claro que sim. (Snif).

E pronto, foi o que aprendi em mais de três meses no Franco Atirador. Agora o leitor já pode dizer destas minhas leis o que disse Somerset Maugham do livro Aspects of the Novel, escrito por E. M. Forster: que apenas o ensinava a fazer livros iguais aos de E. M. Forster. Maugham tinha razão, evidentemente: não podemos fugir de nós próprios. Mas isso, leitor, é uma lei da vida e não dos blogs.

7 Comments:

Anonymous nemesio said...

Cada vez tenho menos paciência para o JPP. Para liberal deixa mt a desejar, tem algumas opiniões carregadas de preconceitos mas tenta disfarçar,...
Quanto a estas "regras"... são "tontinhas"(não sei como adjectivar).

8:27 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Nemésio, quando achar as minhas regras tontinhas, será pedir muito que guarda essa opinião para si? Reservo esta caixa de comentários às pessoas que me querem elogiar ou corrigir, e não "adjectivar".

11:53 da tarde  
Anonymous nemesio said...

Não me fiz entender.
Referia-me às regras "primeiras" do JPP.
Quanto às suas se não tivesse achado piada pode ter a certeza que não tinha comentado.
De qq forma as minhas desculpas.

3:04 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Ah, isto sim, é um comentário. Nada me desagrada mais, quando vou às catacumbas, do que ver como tanta gente se acha no direito de manifestar o seu desacordo sem se achar no dever de manifestar a sua aprovação, quando ocorre. Como se os bloggers fossem principescamente recompensados pelos serviços que prestam, e por isso fosse normal recair neles a enorme exigência dos leitores. Não é.

(E mesmo assim, eu tenho tido sorte).

9:44 da manhã  
Blogger sabine said...

Caro Luís: as suas regras são boas! As regras de JPP também mas o homem precisa de deixar de pensar que é o centro do mundo!

11:30 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Bom, Sabine, ele parece ser pelo menos o centro dos nossos media.

1:19 da tarde  
Blogger sniper said...

Todas as regras na blogosfera são más. Ninguém as cumpre. Isto é um mundo virtual, onde as fronteiras e os intervenientes estão embebidos. Regras neste mundo? Onde é absolutamente necessário haver regras, é o caos. A maioria não cumpre. O que o JPP escreveu é válido, assim como vocês. Eu entendo como recomendações civilizadas e adaptadas a este ambiente; não regras. Os donos do blog é que podem limitar mais ou menos as nossas actuações. Estão no seu direito. São figuras públicas.

11:10 da manhã  

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