21.2.06

Depois dos cartoons.

Gente de quem gosto continua a escrever sobre a crise dos cartoons. Sylvie Kaufmann, no Le Monde:
Choc des civilisations? Sans doute, mais lesquelles ? Trois semaines après le début des troubles qui ont transformé la polémique sur les caricatures danoises du prophète Mahomet en une spirale de violence planétaire, le débat a dépassé la théorie simplificatrice de l'affrontement entre islam et Occident. Révélateur du cheminement des valeurs en Europe et aux Etats-Unis, il expose deux autres fractures : l'une au sein de la communauté occidentale, l'autre entre musulmans d'Europe et musulmans d'Orient, moyen ou extrême.
Teresa de Sousa, no Público:
A onda de violência (...) que se estende do Afeganistão à Nigéria, mistura numa mesma amálgama os símbolos da América ou da França, do Reino Unido ou da Dinamarca, da Noruega ou da própria União Europeia. (...) A opinião pública europeia aprendeu certamente uma lição. O antiamericanismo é uma pura e perigosa ilusão. Não é por aí que passa a fronteira onde temos de defender os nossos valores e os nossos interesses europeus.
Entretanto, o The Economist anuncia esta semana que o partido nacionalista dinamarquês, de extrema-direita, subiu de 13,3 para 17,8 nas intenções de voto. Ao mesmo tempo, embora num registo genérico, o Financial Times deste fim-de-semana continua, na senda da mais recente tradição liberal, a zurzir a Administração Bush pela sua relação licenciosa com a verdade:
George Washington's birthday falls next Wednesday and we all know he told his father that he could not tell a lie. The first president is surely turning in his grave as he surveys the routine mendacity that characterizes US public life today. (Jurek Martin, The truth and a state of incredibility)
Três tendências portanto: a complexificação do convívio entre os dois lados do atlântico, em consequência do fortalecimento de um inimigo comum. O crescimento e radicalização dos extremos na Europa. E em terceiro lugar, a crítica virulenta à administração americana feita pelos media que eram tradicionalmente seus aliados.