11.2.06

Figaro.

Ontem deixei de associar Gioachino Rossini à indigestão de um tornedó com o mesmo nome na zona velha de Florença. O Barbeiro de Sevilha tirou-me o gosto a pasta de figado e molho au Madeira dessa noite trágica que pouparei misericordiosamente ao leitor.

Já não ia ao São Carlos desde a última Turandot, para evidente desconsolo das Bebés e Teresinhas que despejavam flutes de champagne na cafetaria, a seguir ao primeiro acto. Ao contrário de mim, elas gostaram mais do segundo. A obra é divertida, sem propriamente levar às lágrimas uma plateia contemporânea. Se confiarem na opinião de um fanático de Handel (Alcina é a minha ideia de uma grande ópera italiana), poderão dizer que Kate Aldrich (Rosina) cantou soberbamente, que Marius Brenciu (o Conde) e Franco Vassallo (o barbeiro) foram galhardos, sem serem portentosos, e que Bruno Praticò (Bartolo) conseguiu mostrar-se expressivo, tal e qual como se pedia.

Gostei dos cenários, que não descolaram da época mas tiveram dois ou três pormenores muito irónicos, de alguma inspiração. E gostei também do público, que está treinado nestas coisas e não conversa, não assobia nem pateia, além de desligar os telemóveis quando tal lhe é sugerido. Coisa rara e nunca vista.