23.2.06

Remembering Becket. A Centenary Celebration.

Recomendar um livro sobre Beckett, num país como Portugal, é fazer mais um convite desnecessário à vacuidade pomposa e sonhadora. No entanto, este Remembering Beckett tem duas vantagens sobre as habituais edições comemorativas de centenários semelhantes: evita a hagiografia e o bocejo.

Contém depoimentos raros do autor, uma narração escorreita da sua vida, testemunhos contraditórios de gente que lhe foi próxima e breves homenagens de escritores como Coetzee ou Auster, a quem inspirou. A edição é cuidada, com boas fotos, e julgo que merece a atenção de quem aprecia a obra do irlandês.

Para abrir o apetite, transcrevo aqui duas ou três frases a respeito da sua relação com Joyce:

He was very friendly. He dictated some pages of Finnegans Wake to me at one stage. That was later on when he was living in that flat. And during the dictation someone knocked at the door and I said something. I had to interrupt the dictation. But it had nothing to do with the text. And when I read it back with the phrase like "Come in" in it, he said: "Let it stand".