12.2.06

"Todos causam asco", diz o Vitalino Canas do Bloco de Esquerda.

O articulado Luis Raínha sofre este reflexo, tão habitual nos bloquistas, de achar a violência uma coisa relativizável, desde que seja originária do Islão. No caso, ele considera igualmente asquerosos os incendiários que se manifestaram em Damasco e os jornalistas que se entretêm a acirrá-los, em perniciosas colunas de opinião. Vale a pena transcrever estes delírios um pouco beatos, que um dia poremos na lista dos automatismos da nossa extrema-esquerda:

De um lado, os imãs que acreditam piamente que a deles é a única visão certa; que quem ousa entender o mundo de forma diferente é apenas um blasfemo a pedir conversão urgente. Do lado de “cá”, lemos (...) gente igualmente solipsista, para quem o Outro é fonte de todos os males, para quem só “nós” é que somos, evidentemente, civilizados e tão superiores.
Para quem se entretém hoje a acirrar multidões — acrecentando quando necessário caricaturas ainda mais ofensivas às originais — a provocação de um jornal manhoso é bastante para decretar que todo um continente deve agora limpar-se de um novo pecado original. Para os “nossos” comentadores, sempre tão irredutíveis na perfeição das suas certezas, a liberdade de expressão passou de súbito a absoluto sem fronteiras que não deve ser limitado por qualquer susceptibilidade ou valor do tal “outro”.
Uns vêem do lado de lá turbas selvagens que nada respeitam, bárbaros às portas do império da decência e da justiça. Os outros idem. Todos berram o seu ultraje com este caso. Todos apontam o dedo às abjectas criaturas que se empilham do outro lado, incapazes de decência, sentimentos nobres ou de fazer “sonhar” seja quem for. Todos causam asco.

Estão bem uns para os outros, concluiria o luminoso Vitalino Canas, farol do grupo parlamentar socialista. São todos iguais, podia acrescentar eu, se fosse a dona Celeste da Bordaleja.

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Existe no entanto uma diferença
Os fundamentalistas islamicos vao combater ( alguns nao, ficam escondidos).

Os irresponsaveis dos comentadores esperam que alguem combata por eles lá longe para verem a guerra na tv

2:35 da tarde  
Anonymous Luis Rainha said...

Ponto prévio: custa assim muito pensar antes de escrever disparates?

1- Não sou bloquista.
2- Não escrevi sobre "incendiários" nem sequer sobre as manifestações. Mencionei apenas e tão somente "quem se entretém hoje a acirrar multidões", ou seja, os mullahs e imãs que propagam o incêndio do lado de "lá"". Como parece óbvio, estes não são os tais "comentadores". Será preciso ser muito esperto para aprender a ler como deve ser?
3- Onde parará a tal relativização da violência? (Se é que sabe mesmo o que tal quer dizer...)
4- O que Vitalino Canas disse é que os manifestantes estavam bem para os cartonistas. O que eu digo é que os extremistas que só vêm defeitos no adversário estão bem uns para os outros, sejam muçulmanos, portugueses ou apenas imbecis. Não é bem o mesmo, pois não, ó dona Celeste?

1:23 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

"Ponto prévio: custa assim muito pensar antes de escrever disparates? "

Não sei, Luis. Custa?

"quem se entretém hoje a acirrar multidões", ou seja, os mullahs e imãs que propagam o incêndio do lado de "lá"". Como parece óbvio, estes não são os tais "comentadores". Será preciso ser muito esperto para aprender a ler como deve ser?"

Aparentemente, é preciso ser-se mais esperto para ler bem o que você escreve do que para escrever bem o que você quer que eu leia:

"Para quem se entretém hoje a acirrar multidões", começa o seu parágrafo. "Para os “nossos” comentadores, sempre tão irredutíveis na perfeição das suas certezas", continua na frase seguinte.

Será assim tão difícil clarificar ideias por atenção às criaturas de fraco entendimento, como eu, a quem obviamente falta o seu pouco modesto sentido das evidências?

Onde parará a tal relativização da violência? (Se é que sabe mesmo o que tal quer dizer...)

Claro que não sei: conto com o seu alto magistério para me embasbacar.

O que Vitalino Canas disse é que os manifestantes estavam bem para os cartonistas. O que eu digo é que os extremistas que só vêm defeitos no adversário estão bem uns para os outros,

Ai sim? Perdoe-me se não tenho a sua vocação exegética (uma lacuna que atribuo ao escasso contacto com o lider do partido em que já não o incluo), mas prefiro esperar com antecipação a sua próxima epístola aos coríntios e aos tessalonicences para me esclarecer.

Tenha um bom dia, senhor professor.

3:13 da tarde  
Anonymous Luis Rainha said...

Diga os disparates que quiser, mas ao menos não minta sobre o que eu escrevi, depois de já ter feito um contraponto entre o lado "de lá" e o "nosso":
"Para quem se entretém hoje a acirrar multidões — acrecentando quando necessário caricaturas ainda mais ofensivas às originais — a provocação de um jornal manhoso é bastante para decretar que todo um continente deve agora limpar-se de um novo pecado original."

Onde é que vê justificada a sua confusão, que atribui o propósito de "acirrar multidões" aos nossos comentadores? Não seria mais correcto admitir o erro?
Se calhar, não é mesmo uma questão de miolos, mas sim de honestidade.

3:34 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Luis, a sua talvez não seja uma questão de honestidade, mas é certamente uma questão de educação. Isto não é o blog de esquerda, eu não sou a brigada bigornas, e não me passa pela cabeça "admitir erros" a um tipo obscuro com arzinho doutoral. Não se explicou bem? Tem tempo para reformular o que disse. E ao que parece, já começou.

5:20 da tarde  
Anonymous Luis Rainha said...

Comecei e acabei, que já percebi que vim ao engano à procura de alguma honestidade.
Se isto não é a sede dos bigornas, não anda longe: distorcer o que os outros escrevem só porque dá "jeito" e depois não o reconhecer é mesmo ao estilo deles.

6:28 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

1 - Você não veio à procura de "honestidade". Veio à procura de um tolo a quem pudesse impressionar com os seus modos superiores. Enganou-se no local.

2 - A única pessoa que distorceu alguma coisa foi quem pelos vistos não disse o que queria dizer. Eu não tenho esse problema. Normalmente toda a gente percebe o que eu digo.

3- Para os “nossos” comentadores, sempre tão irredutíveis na perfeição das suas certezas

Reconhece este início de frase? É seu. E a menos que também se tenha arrependido dele, devolvo-lho com a vénia devida à sua susceptibilidade.

7:30 da tarde  

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