23.3.06

Peter Doig: On the Future of Painting.



Vale mesmo a pena comprar a Modern Painters deste mês (de todos os meses) e ler a entrevista com Peter Doig. Vou transcrever dois ou três trechos, quando tiver tempo. Por enquanto, deixo-vos este amuse bouche que extraí do site:
Over Christmas Doig had been busy finishing two large canvases for the Whitney. They are dark, brooding works that continue his recent exploration of almost transparent figures filled with mystery and promise. He said lightly ‘I had the canvases propped up last week and a wind blew through the studio and the large one fell over onto a scaffolding pole. It went straight through. I waited for Miro to wince but she looked, as always, inscrutable. He continued, ‘Then I fixed it and Bang! Over it went and a spray can went straight through.’ He continued, ‘Not as bad though as when critic Matthew Higgs visited years ago, parked his bicycle and a canvas fell right through its handle bars’. We all laughed together, but I’m going to look very closely at the surface of that Whitney canvas.
A imagem reproduz um quadro de Doig, entitulado Transparency.

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Eu tentava a Art Review e a Tate & Etc., sempre ficava também com umas luzes de vídeo e fotografia pelo caminho. "Modern painters" é um paradoxo, os últimos pintores modernos ou já morreram ou estão a usar outros media.

CC

12:38 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Compro de vez em quando a primeira, e conheço mal a segunda. Acho, francamente, que a Modern Painters é melhor que a Art Review (a qualidade da escvrita é incomparável), e também explora, apesar do seu título, outros meios para além da pintura.

De qualquer modo, não concordo consigo: acredito que há grandes pintores modernos vivos (este Doig é um exemplo), e até um "renascimento da pintura", apesar de a expressão ter sido usada abusivamente nos últimos anos.

Explorar outros meios faz parte do ofício: não é algo que torne a pintura "ultrapassada".

12:59 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Caro Luís,

Não é a pintura que é ultrapassada, os pintores é que são ultrapassados.

O "renascimento da pintura" parece-me uma campanha de marketing. Há bons pintores ainda vivos, muito poucos jovens, e um desaparecimento progressivo dos professores de pintura das academias. Neste momento o John Currin é considerado um grande pintor... Need I say more?

CC

2:01 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Quanto ao John Currin, também não gosto dele - mas há muita gente de quem não gosto com valor. Mal andaria o mundo se se pautasse apenas pelos nossos gostos.

O "renascimento da pintura" é, de facto, uma campanha de marketing - a mesma que atinge todos os outros media, sem excepção, ao sabor das revistas e dos curadores. O marketing, no entanto, nem sempre anda completamente desligado da realidade.

É dificil discordar de alguém pela metade: e é isso que sinto ao falar consigo. Eu próprio defendo o "desaparecimento" dos professores de pintura, mas isso não quer dizer que a pintura faça menos sentido - integrada com outros media, muitas vezes.

Os pintores estão ultrapassados? Sim, no mesmo sentido em que os artistas que usam os outros meios também o estão: o Gerhard Richter - é pintor ou fotógrafo? E o que é que isso interessa? O Ilya Kabakov: faz pintura ou instalação? Quem quer saber?

De qualquer modo, não vou discutir isso. A morte da pintura, a morte da literatura, a morte da arte - tiram-me anos de vida.

2:46 da tarde  
Anonymous formol said...

A morte da cultura, querem dizer?

Eu não creio que outros "meios", como a fotografia ou o video, tenham tirado o lugar da pintura (tal como o design, noutro nível, não tirou o lugar da ilustração). A questão é que um bom quadro (que tem sempre um interesse físico irrepetível) não se faz por dá cá a palhinha. A questão é que a actual vida das pessoas facilita a arte mais rápida, para não falar da crescente falta de referentes das pessoas e a crescente (e estúpida) especialização das artes.

Outro erro foi conceptualizá-la em demasia (os críticos!!) e encher as páginas de jornais com textos incompreensíveis de aspiração filosófica ou lá ou que é aquilo... Aconteceu o mesmo com a poesia.

Nunca percebi por que motivo existe Filosofia, Literatura, Arte e Música como disciplinas diferentes mas toda a gente insiste cada vez mais em misturar tudo numa pollockada ininteligível. Quer dizer, até percebo. Basta ler Bourdieu.

O sucesso actual da pintura como arte central implicaria que interessasse a uma grande quantidade de gente muito apressada. É uma coisa demasiado singular para este mundo de cópias, e que também não tem interessado às pessoas de volta da arte, porque se sentem muito especiais. Mas não são, e isso nota-se nas ideias. A pintura é daquelas coisa que parece morta pela própria fama neste mundo em que toda a gente sabe de tudo.

Mas a pintura não está morta: está à espera que alguém a leve para um patamar diferente e único, como sempre aconteceu.

2:05 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Creio sentir aqui uma espécie de entronização da pintura como epítomo da arte que me parece ultrapassada. A pintura não está a desaparecer por as pessoas terem menos tempo para produzir quadros, até porque, como se falou acima, há um certo facilitismo que pressupõe que mesmo à arte contemporânea (a de agora, de 2006) se chega sempre primeiro através da pintura. Não só não está a morrer, como está a ressurgir ciclicamente como a "salvação da arte" em tempos de pessoas apressadas. (A mais recente exposição do Saatchi chamou-se precisamente "O triunfo da pintura").

O que me parece pouco informado (e pouco interessante) é este contraponto entre o tempo e a expertise de produzir uma pintura e a "rapidez" suposta da fotografia ou do vídeo. O facto é que quando se fala de obras relevantes isso é quase sempre uma falácia. A Fiona Tan produz instalações de vídeo espaçadas por anos; a Rineke Dijkstra passou quase uma década a fotografar adolescentes em fato de banho para no fim apresentar uma selecção de meia dúzia de fotos; o Bill Viola leva anos a fazer um vídeo, etc. O tempo da arte não se altera significativamente mesmo com a rapidez que os meios proporcionam, porque a arte exige tempo.

Há muita gente que agora ilusoriamente se crê artista porque tem acesso a meios que estão amplamente disponíveis - mas isso nunca foi tão verdade como da tentação amadora de comprar uma tela e um par de gouaches. Só para terminar, creio que a linguagem da pintura é uma linguagem fora do mundo - isso traz-lhe uma tensão interessante mas também um desfazamento, e é neste vai-vem que a pintura tanto é dada como morta como ressuscitada como "a verdadeira arte".

8:44 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Desculpem, esqueci-me de assinar o anterior.

CC

8:44 da manhã  

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