4.4.06

Não havia esperança de ressurreição.
E agora, para Sodoma.
Gostaria de agradecer a atenção de muitas pessoas que elogiaram, ou colocaram o Franco Atirador, para minha invariável surpresa, na barra lateral dos seus blogs. Por ordem de aparecimento, se a memória não me falha, apetece-me destacar: o Hidden Persuader, o Eduardo Pitta e os seus colegas do Da Literatura, o Pedro Vieira, o Ricardo Gross, o ON, o FNV e os seus colegas do Mar Salgado, a _slow_, o José Bandeira, o Azia, o Pedro Mexia, o RAF e o Rui, o João Pinto e Castro, a Constança Cunha e Sá e o Vasco Pulido Valente (grande surpresa, aquele link), o Lutz, o R. e os seus colegas do Setaíris, a Carla Quevedo, a Susana Bês, o Rui Branco, o Afonso Bivar, o Eduardo, o Filipe Moura, e outros que apareceram mais tarde, mas a quem não esqueci.

Às 218 almas caridosas que diariamente encontravam paciência para me ler (nada mau para um desconhecido, ao fim de quatro meses e tal), muito obrigado também. A partir de hoje, talvez me vejam, ocasionalmente, aqui.

e d'esto core ardendo lei paventosa umilmente pascea

Ao lerem o poema de Crane, é de supor que algumas pessoas tenham recordado isto:

A ciascun'alma presa e gentil core
nel cui cospetto ven lo dir presente,
in ciò che mi rescrivan suo parvente,
salute in lor segnor, cioè Amore.
Già eran quasi che atterzate l'ore
del tempo che onne s tella n'è lucente,
quando m'apparve Amor subitamente,
cui essenza membrar mi dà orrore.
Allegro mi sembrava Amor tenendo
meo core in mano, e ne le braccia avea
madonna involta in un drappo dormendo.
Poi la svegliava, e d'esto core ardendo
lei paventosa umilmente pascea:
appresso gir lo ne vedea piangendo.

Dante Alighieri, Vita Nuova. (Aqui o texto completo e uma tradução inglesa).

3.4.06

Because it is bitter, and because it is my heart.

Gosto muito deste título da Joyce Carol Oates, mas sempre calculei que não lhe pertencesse. Imaginava que tivesse origem em versos de um qualquer obscuro isabelino, e só ontem me lembrei de procurar o seu autor. Em vez de um, encontrei dois. A influência mais provável é de longe a do poeta Stephen Crane, morto em 1900:

In the desert
I saw a creature, naked, bestial,
Who, squatting upon the ground,
Held his heart in his hands,
And ate of it.
I said: "Is it good, friend?"
"It is bitter - bitter," he answered;
"But I like it
Because it is bitter,
And because it is my heart."

No entanto, há um texto de G. K. Chesterton, escrito 1933, que também vale a pena recordar:

Why do we do theology? Because it is faith seeking understanding; and understanding, seeking faith. And sometimes, because it is bitter; and sometimes, because it is our heart. And perhaps the point of theology is simply to climb the ladder, until we can kick it away.

Este, que encerra obviamente uma citação do primeiro, foi publicado no livro St. Thomas Aquinas: The Dumb Ox.
Satã testou a Sua tolerância infinita, em 666 propostas contra a ineficiência.

Fui à manifestação do Rossio.

Deus estava do lado dos trabalhadores. A tarde aprazível, o sol ameno, a brisa ligeira e confortadora, insuflavam uma esperança remoçada aos delegados da CGTP-IN, reunidos em comício Sábado à tarde, pelas 15 horas, 35 semanais, em frente a um palco no Rossio, ao lado da pastelaria Suíça e de outras amenidades populares. Os camaradas da Comissão Nacional empolgavam com a sua eloquência os turistas alemães, a comunidade guineense e os índios sioux em tournée na esquina da Ginginha com a Chapelaria Azevedo, perto do Teatro Nacional. Há muitos anos que eu próprio não ouvia dizer coisas tão bonitas a respeito da nossa Constituição socialista.

O camarada Carvalho da Silva foi articulado e penetrante, como é seu apanágio. Fiquei a saber que os meus direitos não são negociáveis. Hoje sou pelas cotas, ou quotas, mas não kotas, de mulheres na política, e contra o neoliberalismo. Mas ainda hei-de tirar a limpo porque são tão boas as multinacionais quando cá entram, e tão más quando se vão embora.

Gostei muito de ouvir o Vitorino, que assustou um homem-estátua, e conheci um Fausto, mas ainda prefiro o do Goethe. Comprei castanhas a dois euros, a uma camarada que faz cobrança de cotas, ou quotas, mas não kotas, para a célula do partido em Alfornelos. Achei-as podres, talvez por serem biológicas. Quando parti para o Colombo, a malta ainda estava a gritar.

Assim é que se vê, a força da CGTP.

2.4.06

Com apenas três anos, a gentileza dos outros não o penhorava.

Esta imagem, de Ghirlandaio, é uma cortesia da Carla Quevedo, a quem desejo felicitar.

O outro Franco Atirador.

Já não leio Borges há uns anos, mas recordo a sua elegante inclinação pelos paradoxos. Deve vir do escritor argentino a convicção de que um dia encontrarei na rua o meu oposto, o anti-Luis, que reconhecerei talvez pelo cachucho e pela camisa bordada com monograma do Futebol Clube do Porto. Até chegar esse dia funesto, resta-me o consolo de já ter descoberto o oposto deste blog. Meus amigos, apresento-vos O Franco-Atirador, um blog dedicado ao ocultismo e à espiritualidade.

Confesso.

O meu template não é bem igual ao do Pedro Mexia. Mas eu continuo a tentar.

A long goodbye.

Podem ler aqui a despedida de Bill Emmott, editor do The Economist. Um resumo crítico, muitíssimo interessante, do que ocorreu ao mundo nos últimos treze anos.

1.4.06

A pátria está inconsolável.

Parece que um belga ganhou o Euromilhões. Tragédia mais horrenda, só se o Benfica perdesse com algum clube espanhol.

A "não esquerda" que votará em Sócrates.

Do post interessante mas um pouco trôpego de José Pedro Henriques, salva-se o raciocínio e um trecho que destaco aqui:
na blogosfera de "não esquerda", nem as lideranças do CDS nem as do PSD aprendem o quer que seja para fazer oposição ao engº Sócrates. Admitindo que essas lideranças são fracas, importa também admitir que a "massa crítica" de "não esquerda" que povoa a blogosfera é, genericamente, ainda mais fraca. Na verdade, ao "acusarem" o engº Sócrates de, afinal, estar a governar "à direita", estão-nos apenas a informar - sem coragem para o assumir - que em 2009...votarão nele.
Era um homem de sorte, mas não necessariamente com as mulheres.