12.6.06

O fardo do homem branco.

Como não conseguiria vencê-los juntei-me a eles, e fui ver o Portugal-Angola ao Outra Face da Lua, antigamente no Bairro Alto, agora na Rua da Assunção, entre papéis de parede dos anos setenta, mobiliário holandês, camisas vintage psicotrópicas e jóias de autor. Podia ter pedido um sumo de melancia com hortelã, ou um chá verde com canela e jinseng, mas em vez disso escolhi uma Super Bock Green em copo alto, já que a ocasião exigia uma certa virilidade.

Basicamente, gostei daquilo que vi (refiro-me ao jogo, não às turistas alemãs). Seria impróprio derrotar por mais que um golo os nossos amodorrados adversários africanos, ainda sob o torpor das cangas e das grilhetas após três séculos e tal de colonialismo. Na Selecção Nacional, convém-nos recordar, também há gente de Esquerda, para quem a concretização é um assunto absolutamente secundário, e a culpa fala sempre mais alto.

No fundo, tudo acabou bem. Os portugueses buzinaram nos seus Audis a caminho de Massamá, e nenhum angolano resolveu incendiar as Portas de Benfica. Estava previsto um confronto - mas em vez disso descobrimos, como é habitual, o socialismo.

2 Comments:

Blogger _Slow_ said...

ah valente!

6:28 da tarde  
Blogger on said...

Mais uma vez a diplomacia norteia a FPF. Faz lembrar o estágio em Macau que nos custou a passagem à segunda fase no mundial da Coreia. Gilberto Madaíl para o lugar de Freitas do Amaral.

6:35 da tarde  

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