13.6.06

Os pozzi.


O Século XIX alvoroçou-se com as masmorras do Palácio dos Doges. Dickens visitou-as em Novembro de 1844, e tirou o melhor partido da ocasião:

One cell I saw, in which no man remained for more than four-and-twenty hours; being marked for dead before he entered it. Hard by, another, and a dismal one, whereto, at midnight, the confessor came - a monk, brown-robed, and hooded - ghastly in the day, and free bright air, but in the midnight of that murky prison, Hope's extinguisher, and Murder's herald. I had my foot upon the spot, where, at the same dread hour, the shriven prisioner was strangled; and struck my hand upon the guilty door - low browed and stealthy - through which the lumpish sack was carried out into a boat, and rowed away, and drowned where it was death to cast a net.

Nas paredes de algumas celas ainda se podem decifrar as garatujas dos prisioneiros desalentados. Mas convém recordar aqui uma carta de 1833, onde a esposa de Bulwer-Lytton nos explica a longevidade dessas inscrições:

the guide told us they were nearly effaced till Lord Byron had spent two days re-cutting them into the walls.

Byron, em Veneza, merecia um outro blog.

O post será colocado aqui, com algumas indicações bibliográficas. A imagem reproduz um óleo de Luca Carvelaris, de 1720, com uma perspectiva geral do Molo e, à esquerda, a fachada do Palácio dos Doges.

3 Comments:

Blogger on said...

Passei uma semana numa das ilhas que ficam em frente da Praça de São Marcos. Um dos participantes da conferência era Yuri Manin, um russo que se distingue pela sua pose aristocrática. Curiosamente é descendente de Lodovico M., o ultimo doge. Cada vez que tomava o vaporetto para ir jantar ficava um pouco mais impressionado com esta cidade singular.

12:31 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

On:

Ora aí está alguém que gostaria de conhecer. É verdade que Manin foi o último doge, mas há um do mesmo apelido, com uma história muito mais interessante, que penso revelar aqui em breve.

2:38 da manhã  
Blogger on said...

Este Manin foi trabalhar nas ciencias exactas porque estas eram, juntamente com a música, as únicas actividades intelectuais a que alguém honesto se podia dedicar na URSS.
Os seus interesses abragem todas as áreas da cultura.
É um especialista em literatura e linguas classicas. Quando a conferencia não lhe interessava, puxava de uma revista de literatura...

Pois, eu ouvi falar dessa história do outro Manin quando estava na conferencia. Um era amado e outro odiado. Procurei referencias na wikipedia, mas não encontrei nada.

2:04 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home