26.6.06

R.I.P.


Há uns tempos perguntaram ao empresário Belmiro de Azevedo o que achava ele do TGV. O patrão da Sonae esboçou o mesmo sorriso com que oculta normalmente o seu infinito desprezo pela loucura dos homens, e afirmou apenas que nunca se iria fazer.

Hoje, o Governo português insinuou que talvez não seja absolutamente necessário construir tantas linhas de TGV como tinha planeado. Pensando bem, considerou mesmo que a sua construção, embora indiscutivelmente prioritária - todos o sabemos - para nos ligar à Europa e ao Progresso, poderá ser adiada por mais uns... digamos, cinco anos.

Ora, o que são cinco anos na vida de um país? Bom, meus amigos, na vida de um país como Portugal, cinco anos, se tiverem o nosso competentíssimo aparelho do Estado à mistura, são pelo menos uns quinze. Recordemos que o Governo ia dedicar esta legislatura a concluir alguns estudos, e só na próxima, confiando ainda na imperturbável liderança do engenheiro José Sócrates, avançaria para a construção do futuro. Com este adiamento, esperamos por ele mais uma geração.

Os nossos filhos, se calhar os nossos netos, poderão ir de Lisboa ao Porto à velocidade estonteante de trezentos quilómetros por hora. Até lá, vai ficar pelo caminho mais um sonho imbecil e grandiloquente, de um punhado de tardo-keynesianos e de alguns, demasiados, milhares de burocratas.

3 Comments:

Blogger Rui MCB said...

Não se arranja uma dessas sobre a Ota? Isso é que era!

Agora esta é uma notícia sobre o adiamento de algo que a ser feito só o seria a meia hora do fim do mundo (já que as duas linhas se mantêm).
Acho que esta notícia precisa de detector de spin...

12:53 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Rui: a Ota, pelo menos, responde a um problema. Não sei se responde bem, embora desconfie que se alguém com poder pensasse um bocadinho, talvez encontrasse melhor solução.

Agora com o TGV a questão é outra: aquilo custa uma fortuna colossal e não resolve problema nenhum. Nós não precisamos de um comboio de alta velocidade - e certamente não precisamos dele por aquele preço. É pura vaidade disfarçada de fontismo bacoco. É mais um crime do Estado contra os contribuintes, com um monte de "socialistas" a aplaudir. Como se não chegassem os estádios e as misérias do guterrismo.

8:08 da manhã  
Blogger Rui MCB said...

Acho que temos os dois razão. - suspiro -

11:24 da tarde  

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