24.6.06

Torcendo o pepino.

Será que a infância também é responsável pelas nossas convicções? Poderemos atribuir o zelo de um católico à doce memória dos tempos em que borrava os cueiros, ou rasgava o fatinho da primeira comunhão a perseguir a Alzirinha? Ou talvez não seja bem a infância, mas a adolescência remota: os primeiros retiros em Taizé, o despertar da líbido, as conversas sérias com o padre Martinho sobre o Vaticano Segundo e a masturbação. Quantas almas se desperdiçam quando acordamos molhados, senhor padre?

E um esquerdista, recordará as matanças do porco nos jantares-comício do MDP/CDE? As sessões de esclarecimento que frequentava com o pai durante a Reforma Agrária? As longas noites em que se ouvia a Ópera do Malandro na casa de Benfica, e os cinzeiros transbordavam, entre garrafas vazias de White Horse, enquanto uma dezena de barbudos ouvia o Torres, o Torres do Conselho da Revolução, a desancar nas multinacionais? Ah, o Verão Quente de 75...

Esses bons velhos tempos explicarão porque somos hoje em dia socialistas, nacionalistas ou liberais? Espero que não. Afinal, não tenho razões para desejar uma lastimosa meninice ao doutor Carlos Espada.

5 Comments:

Blogger on said...

Que outra explicação poderia haver?

9:41 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Sei lá, on. Talvez a metereologia.

10:48 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Meteorologia!

9:19 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Não, anónimo, eu estava a referir-me a corpos celestes.

9:45 da tarde  
Blogger Rui Miguel Brás said...

leituras? (embora não veja como é que as leituras nos possam colocar à esquerda).

10:18 da tarde  

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