25.7.06

As mulheres não choram.


Para a Ana Sá Lopes, por causa
deste post.


Quando ontem cheguei a casa, ao fim da noite, a profusão de bandoletes, frisados e balayages nem por um minuto me enganou: os Dire Straits andavam em concerto pelo Canal 2. Com eles regressei à minha adolescência remota, das greves da Tabaqueira e dos Nike de contrabando, das calças de ganga elástica e das croissanteries em todos os cafés.

Portugal era então uma espécie de Roménia, sem o encanto torturado de um Ceausescu. Mas para nós, que ainda sonhávamos com o Frágil e com o Inter-Rail, o mundo era uma promessa gloriosa, coroada de lírios, escoltada por uma luz celestial e animada, não por um coro de anjos, mas pelas guitarradas pomposas do Mark Knopfler.

Não me orgulho muito desses tempos; mas ontem à noite fiquei por ali a ouvir os temas que me ajudaram a crescer: o Once upon a Time in the West, o Telegraph Road, o Sultans of Swing, e finalmente a cançãozinha responsável por este post - um portento da sensibilidade xaroposa entitulado Romeo and Juliet.

Sem querer massacrar os leitores com a prosa poética da obra, peço a vossa complacência para o trecho que se segue:


Juliet, when we made love you used to cry
You said "I love you like the stars above, I'll love you till I die"


Aos dezasseis anos - tolo, virgem e poltrão - eu achava que o amor seria assim: as mulheres chorariam quando se enrolassem comigo. Pela minha cabeça delirante passavam Kátias, Filipas, Marisas, Sónias, Sofias, Rutes e Madalenas lavadas em lágrimas, soluçando abandonadamente enquanto eu as cobria, digamos assim, de bem-aventurança. Não havia neste espírito alterado grande distinção entre um lenço e um preservativo, e por isso também não estranhei que à época a revista do Círculo de Leitores tentasse introduzir o vibrador nas casas portuguesas, chamando-lhe massajador facial.

Um pouco mais tarde (excessivamente tarde para o meu gosto) pude comprovar que os Dire Straits não tinham razão. É verdade que nunca conheci, biblicamente, Julietas. Mas as Kátias, as Marisas, as Sónias, as Sofias, as Rutes e as Madalenas não se desfazem em pranto quando dormem comigo. Primeiro julguei que o problema era meu (ai, esta insegurança masculina). Depois, concluí que se trata de uma disfunção universal.

A verdade, meus amigos, é que não é nada fácil pôr uma mulher a chorar pelas boas razões.

3 Comments:

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Anonymous Anónimo said...

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