18.7.06

Devemos regressar aos lugares onde fomos felizes.

Este ano não vou poder afastar-me longamente do país. Para escapar por entre as grades a esse contrangimento, decidi realizar duas ou três visitas curtas a locais que já conheço, compensando a ausência de surpresas com um acréscimo de familiaridade. A única cidade recorrente, para mim, até agora, era Paris. Faz uma década que lá vou todos os anos, em finais de Novembro, comprar bolas de Natal. Hoje em dia quase não saio de Saint-Germain e do Jardin du Luxembourg, a não ser para percorrer ao fim da tarde as Tuilleries ou jantar no Marais. Não conheço propriamente uma cidade, mas um bairro, e apenas no Inverno.

Devo estar a ficar velho, porque me apetece voltar às cidades que amei. O Verão é má altura, com as suas hordas de chinela no pé a soltar ais e ós perante o famoso Van Gogh ou o incontornável Dali. Mas na semana passada também eu andei a fotografar velhos e fachadas e igrejas na Europa, como um bem comportado lugar-comum. Viajar talvez não seja ir a um local, mas regressar a ele uma e outra vez.