26.7.06

O gosto dos outros.


Para a Fernanda Câncio, por causa deste post.



Uma amiga holandesa a residir em Lisboa costuma dizer-me que nenhum povo é tão inseguro nos seus gostos como o português. Sempre que lhe ouvi essa crítica, ela pareceu-me certeira. O medo de cometer um faux pas horroriza a nossa classe média-alta, e contribui para o seu ar apinocado e engomadinho, para o vício do name dropping e para a falta de sentido de humor. Em Portugal as pessoas olham-se, julgam-se e condenam-se por coisas ridículas.

Até no circuito Fashion Clinic - Bica do Sapato - Lux, onde impera o casual chic, nada é tão casual assim. Aqui, na Avenida da Liberdade, não posso sair à rua sem encontrar, de nariz empinado, a fina flor das nossas secretárias em romaria, carregando sacos de compras como se fossem ovos Fabergé. Os maneirismos desta feira de vaidades afectada e estéril não têm paralelo com alguma coisa que tenha observado no estrangeiro. Nem os italianos, nem os japoneses são assim.

O que há por trás deste horror português ao foleiro não é uma tirania do gosto, é a tirania da suburbanidade. As pessoas não querem apenas ser finas, querem esquecer que foram pobres. E não querem apenas ser sofisticadas, querem também destruir quem, comendo da mesma malga, não o é. Em cada pobre de espírito que ganhe mais de 2500 euros neste país abriga-se uma madame Verdurin, pronta a vociferar aos patêgos o que eles devem vestir, o que eles devem ouvir, o que eles devem comprar (já ler não é preciso, graças a Deus).

Ora isto produz uma sociedade sem memória, sem consciência do seu sofrimento, que parece ter vivido numa redoma até acordar, perfumada e chique, no final dos anos noventa. E nós sabemos que Portugal não era assim. A mentalidade do fidalgote, dominante nesta cidade, está a destruir a nossa economia, a alimentar um elitismo serôdio e a criar nos nossos filhos a ilusão de que podem triunfar sem esforço. E isto não é verdade. Mas insistimos em perpetuar a nossa receita para o desastre, enquanto nos entretemos a discutir, displicentemente, o gosto dos outros. Contra mim falo, também.


P.S.: Se a Fernanda ler o meu post a que se refere, concluirá que eu não gosto de Dire Straits - eu cresci com Dire Straits, o que é muito diferente. No entanto, isso não tem grande importância.

14 Comments:

Blogger f. said...

quem gosta de dire straits, então, é só a ana. mil desculpas. aliás, o meu post era sobretudo para ela, mesmo se não me parece assim tão óbvio no seu post que não gosta deles. em todo o caso, embora com dedicatória e tudo, tendo a concordar com sua conclusão, embora duvide de algumas premissas. tenho, por exemplo, dificuldade em reconhecer nos portugueses um horror ao foleiro e em negar que outras romarias de compradoras/os ponham no transporte dos sacuchos o mesmo cuidado e ostentação. acho que corre o risco de confundir snobeira com novo-riquismo. umas vezes andam juntos, outras não. e, claro, nem todos os tais tiranos do gosto são dos subúrbios, como eu.

5:59 da tarde  
Anonymous jpc said...

Não é óbvio, mas percebe-se bem.

7:21 da tarde  
Anonymous jaime correia said...

Bem vistas as coisas, isto até nem é novidade: há um estudo antigo de Pierre Bourdieu, La Distinction, que não diz outra coisa, e fala da França gaullista.

...pelo que se calhar o problema é que esta fase aparece demasiado tarde for our own good.

11:12 da tarde  
Blogger pvnam_2 said...

«mini-spam»

--->>> Não sejas um PARVO IDIOTA ÚTIL ao serviço do Interesse Judaico: o EXTERMÍNIO da Identidade Étnica Europeia (em particular, da Identidade Ariana Europeia)... e não só...
--->>> ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS... reivindica o LEGÍTIMO Direito ao Separatismo:
VER: SEPARATISMO-50
[ A constituição de Espaços Reserva Natural de Povos Nativos ]


ANEXO 1:
Depois da acção de extermínio cometida por Arianos sobre Judeus [na 2º guerra mundial], os Judeus planearam a sua Vingança sobre os Arianos.
Mas acontece que "a Vingança é um prato que se serve frio".
Ou seja, a vingança não é concretizada no imediato, mas sim, no LONGO PRAZO.
Os parvos que acordem:
-> como o Separatismo vai permitir o SALVAR da Identidade Étnica Europeia (e, em particular, da Identidade Ariana Europeia), agentes judaicos infiltrados nos Movimentos Nacionalistas Europeus procuram - a todo o custo - IMPEDIR que os europeus venham a reivindicar o LEGÍTIMO Direito ao Separatismo.

ANEXO 2:
A Elite dos Capitalistas Selvagens continua a 'preparar o terreno':
-> promoção da dissolução das Identidades Nacionais...
-> promoção do Caos...
[ Nota: os Líderes da Alta Finança (Capitalistas Selvagens) são os Judeus ]
Depois, a partir do Caos, os Capitalistas Selvagens pretendem erguer uma Nova Civilização: uma CIVILIZAÇÃO MERCENÁRIA... aonde os Capitalistas Selvagens serão os Senhores Donos do Mundo.
[ Nota: Será um Neo-Feudalismo (agora numa forma mais ampla)... de facto, no passado, também foi a partir do Caos que os Senhores Feudais (com os seus mercenários - que trabalham para quem lhes pagar mais) ergueram a sua Civilização: o Feudalismo ]

12:17 da manhã  
Blogger Rui MCB said...

Ora aqui está um dos postais ilustrados mais bem tirados sobre Lisboa que leio nos últimos anos.

1:02 da manhã  
Blogger JSA said...

Não sei se posso concordar tanto com essa amiga holandesa. Eu estou na situação oposta (português a residir na Holanda, embora fora de Amesterdão ou das outras grandes cidades) e vejo fenómenos semelhantes por aqui. Não é nas compras, embora também se veja, antes é no resto. Basta uma ida à noite ao cinema para isto se tornar absolutamente óbvio. Roupas vistosas e luxúria (sim, luxúria) pura no andar. E mesmo nas compras, em sábados de sol, se vê o mesmo fenómeno descrito acerca de Lisboa. A grande diferença entre Portugal e a Holanda poderá ser, portanto, apenas e só uma questão de clima.

PS - esta do clima é brincadeira,eu sei que há outras razões, históricas. mas deixo assim.

9:53 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Co licença, posso fazer uma sintese foleira? Então, passeiam-se na avenida da liberdade secretárias suburbanas finas de 2 500 euros a evangelizar o gosto dos outros? Pôças, um dia destes, quando for a lisboa, vou passear na avenida com um fato de treino azul electrolux, de braço dado com o luis jorge, à boa maneira do Almada e do Santa Rita. Eu acho que vocês em Lisboa pensam é demais, ou o carago.

caramelo

9:56 da manhã  
Blogger Rui Castro said...

Quem ganha 2.500 euros entra nessa categoria ou ainda se safa?

10:45 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

rui, segundo percebi, quem ganha até 2500 mocas já não entra nessa catogria. Eu queria era saber como se entra nessa catogria do secretariado fino. Se for preciso, visto-me de gaja. Lisboa é um mundo, carago.

caramelo

11:49 da manhã  
Anonymous vassili denisov said...

secretarias finas de 2500 € !!!!
poça , eu k pensava k lisboa ficava em portugal
esmifro-me a trabalhar e n chego a ganhar 2000 € so pk moro numa pequena cidade????
p.s.-essas secretarias finas sao as mesma k eu vejo todos os domingos a noite a circular na A1 em direcçao aos arredores de lisboa vindas do pequeno casebre onde nasceram na provincia com a bagageira e o tejadilho do seu toyota corola com 8 anos carregado de cebolas , batatas e couves cultivadas pela avo de 80 anos.
e os outros é k sao saloios

8:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Here are some links that I believe will be interested

10:09 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Here are some links that I believe will be interested

8:42 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Greets to the webmaster of this wonderful site! Keep up the good work. Thanks.
»

3:12 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Hi! Just want to say what a nice site. Bye, see you soon.
»

11:20 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home