13.8.06

Pela blogosfera.


1. No seu blog sobre kleist, Alexandre Andrade refere-se aos trabalhos de João Queiroz de um modo singularmente elogioso. Alexandre afirma, perspicaz, que as telas do pintor se apropriam e, ao mesmo tempo, interrogam o modelo clássico da paisagem. Considera, entusiasmado, que o observador não poderá deixar de nelas reconhecer arquétipos, facilmente identificáveis, de paisagens clássicas; mas com detalhes, com peculiaridades, com acidentes que lhes conferem um aspecto duplo de figuração e conceptualização. E depois conclui, definitivo, que os quadros de João Queiroz provocam uma atracção e sedução poderosas, que não elidem, antes transmitem maior força e acutilância às questões que a abordagem do artista suscita.

De um modo mais prosaico, Ricardo Gross concorda com Alexandre Andrade: e também ele encontra, nesta tela de João Queiroz, arquétipos, paisagens clássicas, além de um aspecto duplo de figuração e conceptualização capaz de despertar, suponho eu, uma atracção e sedução poderosas, dando maior acutilância às questões que a abordagem do artista suscita.

O leitor, imagino, não será o primeiro a contradizê-los.

2. É agradável regressar de férias e encontrar o Eduardo Pitta a citar as Ligações Perigosas. Um espírito mais malicioso que o meu poderia agora começar a estabelecer paralelismos irónicos entre essas tais ligações perigosas e a defesa ardente, protagonizada pelo crítico, das decisões do Governo Israelita. Eu, com singeleza, não vou entrar por aí: em primeiro lugar porque o Eduardo Pitta faz mais pela sobrevivência deste blog do que eu próprio tenho feito, e em segundo lugar porque acredito, como Jorge Luis Borges, que nada é tão pouco importante, num ser humano, como as suas opiniões.

Quanto a Laclos: se o leitor gostar muito, não deixe de ler Crebillon Fils, Vivant Denon, e este Louvet de Couvray que nos últimos dias me tem andado a distrair.

3. Nuno Costa Santos, de regresso à blogosfera, anda a folhear o mais cínico dos arrivistas ingleses, o encantador Lord Chesterfield. Sobre este livro afirmou o doutor Johnson que ensinava the morals of a whore and the manners of a dancing-master. O que o transforma, obviamente, na leitura ideal para triunfar na blogosfera. Eu, como tenho os livros mas não o tacto diplomático, posso ao menos presentear o Nuno Costa Santos com esta máxima de La Rochefoucauld:

Pour s'établir dans le monde,
on fait tout ce que l'on peut pour y paraitre établi.


Espero que lhe seja útil, nas batalhas contra o ressentimento.

4. E por falar em tacto diplomático, vale a pena ler a selecção de artigos sobre o Médio Oriente que Ana Gomes publicou, este fim-de-semana, no Causa Nossa.

1 Comments:

Anonymous José Augusto-Inglaterra said...

Nunca percebi uma única linha das críticas de pintura, e tenho um espírito aberto...

1:29 da manhã  

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