22.8.06

Que nostalgia.

Julgo que foi Eça de Queirós o primeiro a constatar que todas as putas do seu tempo eram absolutistas. Com uma carreira um pouco menos tradicional, mas nem sempre tão compensadora, João Carlos Espada manifesta idêntico fascínio pela ordem, o asseio e a autoridade. O que às vezes, confesso, me comove. A sua digressão no Expresso desta semana sobre compostura sartorial (com gravata, botões de punho, suspensórios e fato de riscas) recordou-me o pequeno Marco Aurélio, filho de uma antiga porteira, companheiro invariavelmente relutante dos folguedos da minha meninice. Tenho uma memória fotográfica desses tempos inocentes: eu muito emporcalhado e pingão, ele altivo e imaculado, para gáudio da mamã. A senhora era excelente, e o menino já é doutor.

Nota: podem ler um extracto daquela crónica memorável no blog do Vasco M. Barreto.