26.9.06

Adiante, sim senhor.

No Arte da Fuga, António Amaral ficou muito perturbado com o jornalismo de causas que Fernanda Câncio terá aplicado a Pedro Arroja. Parece que a f. é incapaz de apreender conceitos de nível superior, como os que são produzidos pelo académico impoluto: conceitos enunciados subtilmente, como a bondade da raça branca em geral e de Pinto da Costa em particular, o desprezo pelos pobres, a humanidade da pena de morte, e até as virtudes económicas da escravatura.

António Amaral não afirma que o professor Arroja tenha sido deturpado ou impedido de dizer alguma coisa. Não: o que parece incomodá-lo é exactamente o oposto. O que parece perturbar António Amaral, nesse jornalismo de causas que denuncia, é a sua capacidade de pôr os Pedro Arroja deste mundo a revelar exactamente aquilo que pensam, e aquilo que são.

20 Comments:

Blogger João Pinto e Castro said...

Convém precisar que, além do mais, as declarações de Pedro Arroja acerca das eventuais virtualidades da pena de morte são falsas. Os estudos realizados revelaram-se inconclusivos relativamente ao seu poder dissuassor, o que significa que não há qualquer prova de que ela permita poupar vidas.

6:01 da tarde  
Blogger AA said...

Caro LMJ

pôr os Pedro Arroja deste mundo a revelar exactamente aquilo que pensam, e aquilo que são [eu identifico "outros"] não se consegue passando sistematicamente "adiante", mas desmontando sistematicamente as suas falácias com argumentos racionais.

A pergunta sobre a pena de morte é exemplar. Ou a entrevistadora não estava preparada, ou estava de má fé, ao dizer que PA é a favor da pena capital. PA esclarece há estudos que dizem que a pena de morte [com a qual eu discordo, por uma questão de princípio] têm efeito de deterrence. Bastava retorquir que havia outros, igualmente idóneos, mas nada conclusivos, como faz o JPC acima. Bastava para lançar a conversa para um nível mais elevado.

Mas resposta é ao estilo zombeteiro (que eu chamo no aAdF "Manuela Moura Guedes"): "Nem vale a pena averiguar como é que eles chegaram a esse número...". Há processos estatísticos, ditos "científicos", que podem ser cozinhados como todos sabemos. Mas logo f. refere que como existem outros números e dados que dizem que para se ser condenado à morte nos EUA é preciso ser-se pobre e de preferência negro, estamos conversados. O que é isto? Os negros não sentem o efeito de deterrence? Que há uma caça ao preto? Que a culpa é da existência da pena de morte?

Francamente... Chama-se a isto mau jornalismo...

6:41 da tarde  
Blogger zazie said...

enfim, uma tautologia, por alguma motivo se chama "a arte da fuga"


";OP

8:30 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Caro António, não vou discutir jornalismo consigo mas psicologia: parece-me natural que ao ver esse Pedro Arroja insensado pelos seus colegas liberais do Blasfémias, um leitor vulgar ficasse curioso a respeito do que ele pensa da vida. A entrevista da f., bem ou mal conduzida, deu-me algumas respostas: o homem é racista, obsessivo, e manifesta um desrespeito total pelo sofrimento dos outros. Isto, para mim, bastaria para publicar uma entrevista com dez anos.

O António, no entanto, preferiu reparar noutras coisas: em vez de chamar a atenção para a mensagem (o Pedro Arroja), resolveu denunciar o mensageiro (a Fernanda Câncio). E assim, em vez de tomar posição sobre as imbecilidades de um homem que até partilha consigo algumas crenças liberais, virou a cara para o lado, mas não se eximiu antes de fazer um discurso moralista a respeito do "mau jornalismo". Infelizmente, António, essa espécie de atenção selectiva é bastante comum.

Quanto aos "argumentos racionais" que contrariam as teses do "professor" Pedro Arroja, tem toda a razão: eles existem, e espero que o António os desenvolva no seu blogue. Porquê? Porque se for uma pessoa de convicções (e acredito que o é) o António será também um dos principais interessados em distinguir muito bem o "liberalismo" do "fascismo"

10:08 da tarde  
Blogger AA said...

Caro Luís,

Numa altura em que a social democracia era hegemónica, e o respeitinho pelo Estado era lei social, Pedro Arroja atreveu-se a falar de liberalismo. Os tempos mudaram, veremos como se adapta à blogosfera. Não me parece ser racista. Em "Os negros e a pobreza", apresenta uma visão que não é muito diferente da que Sowell apresenta em "Basic Economics": a discriminação racial impõe custos ao discriminador, e os mercados tendem a ser não discriminatórios, a menos que a mão do Estado desvirtue o sistema de preços provocando escassez de empregos. Quanto à obcessão, enfim, somos todos. Eu prefiro dizer que é radical. O desrespeito pelo sofrimento dos outros é uma avaliação pessoal que não infiro do que dele já li. Dizia antes que é a-emocional, tal como a política pública devia ser.

É evidente que o meu post se destinou a criticar o jornalismo de causas promovido pelo "o mensageiro". É mau jornalismo sobretudo porque não permite aos leitores fazerem o exercício de refutação racional das ideias do entrevistado, reduzidas como foram a sound bytes... enfim, PA vem à blogosfera, espero de f. alguma participação que não se escude no banal "o homem é louco"... se a critico é porque bem sei e reconheço que é uma pessoa inteligente, e a sua arte pouco tem de inocente.

Quanto ao liberalismo e fascismo, começo por repetir que a entrevista descontextualiza as ideias de PA, algo que não é jornalismo que eu goste de consumir. Reproduzo uma resposta que dei no AADF ao João Galamba, (desculpem-me a informalidade: segue com os erros originais)

- a parte do fascismo é provocação altamente teórica, uma das que f. não teve a arte de explorar. Num Estado que garantisse por constituição que nenhuma agressão aos direitos seria tolerada, e que as pessoas seriam sempre periodicamente chamadas a se pronunciarem sobre a forma de governo, que mal haveria em ter um governo fascista? ou estalinista? ou uma monarquia? se nenhuma ideologia pudesse utilizar o Estado para subverter os direitos de minorias, não haveria problema. Terias uns fantoches a fazer saudações romanas a fingir que eram o Hitler e o Mussolini, e toda a gente a viver a sua vida normalmente à espera da oportunidade para se ver livre deles.

10:23 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

"Num Estado que garantisse por constituição que nenhuma agressão aos direitos seria tolerada, e que as pessoas seriam sempre periodicamente chamadas a se pronunciarem sobre a forma de governo, que mal haveria em ter um governo fascista? ou estalinista?"

Caro António: os governos fascistas (e "estalinistas") alteram as constituições. Esse é o típico argumento que me põe de sobreaviso contra os nossos "liberais".

10:08 da manhã  
Blogger Joao Galamba said...

AA,

1-Nao sabia que tambem admiravas personalidades ´fracturantes´ pelo simples facto de o serem

2- Explica la melhor porque (e como) é que as politicas publicas sao a-emocionais.

3- A descriminacao racial nao é certa ou errada porque impoe custos iou coisa que o valha, mas porque...é descriminacao racial. Da mesma maneira que Hitler nao estava errado porque os judeus ciganos e companhia fossem melhor utilizados noutras areas produtivas o racismo nao é errado porque é uma practica desvantajosa. O simples facto de PA (e pelo vistos tu tambem) ousarem a olhar questoes eticas fundamentais sob a optica custo/benef é ´algo´ arrepiante

10:59 da manhã  
Blogger AA said...

Caro Luís,

Caro António: os governos fascistas (e "estalinistas") alteram as constituições.

Ora bem, que as constituições não possam ser alteradas permitindo atropelo arbitrário ou legal dos direitos do indivíduo. Estamos de acordo quanto a este máximo denominador comum?

-------------

Caro João,

1. não admiro, nem isso pode ser depreendido do que escrevo. O que quero é que personagens fracturantes sejam reduzidas ao seu ridículo ao ser-lhes retirado poder para fracturarem seja lá o que for... a não ser o que é seu, obviamente...

2. digo que as políticas públicas não devem reger-se pelas emoções (populismo) mas por argumentos racionais e escrutináveis;

3. Primeiro, não tenho nada contra a discriminação racial privada. Não admito é a agressão, seja racialmente motivada ou não, ou racismo estatal, seja negativo (jim crow) ou positivo (affirmative action). No AADF (desculpem, mas acho ridículo deixar links tipo autopromoção para o meu próprio blogue) disse que rejeitava este racismo por valores superiores - ou seja, porque acredito que todos somos indivíduos e que a cor da pele não é para nada chamada. Contente? E não disse que o mecanismo económico justifica moral ou eticamente seja lá o que for. Eu posso dizer que a bomba atómica é uma maneira muito eficiente de matar imensa gente sem ser apologista da guerra nuclear [que não sou], ou não? Pois claro que é arrepiante, mas é enfrentando estas lógicas inconsequentes que podemos concentramo-nos em princípios. Neste exemplo, que é errado matar gente à bomba. No outro, que a escravatura é errada.

5:39 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

"Ora bem, que as constituições não possam ser alteradas permitindo atropelo arbitrário ou legal dos direitos do indivíduo. Estamos de acordo quanto a este máximo denominador comum?"

António, não estamos de acordo por uma razão: as ideologias fascistas PRESSUPÕEM a ruptura com a ordem constitucional: Pinochet chegou ao poder por um golpe, não por eleições. Hitler alterou o regime depois do incêndio do reichstag.

O António parece partilhar uma ilusão muito comum entre os ultraliberais: a ilusão da neutralidade perante os políticos, ao qual dão o apoio em troca de reformas económicas - ver o caso de amor entre os chicago boys e pinochet.

A ideia é que "a longo prazo" o liberalismo económico faz bem aos países - por isso que importa se um tipo assassinar estádios cheios de opositores ou impuser o culto da sua própria personalidade?

E é exactamente esse o problema antónio: eu concordo com muitas das reformas económicas que propõem, mas seria incapaz de vos apoiar politicamente.

Se para ser "liberal" é preciso tolerar ditadores, aturar criacionistas, e encolher os ombros perante a destruição do meio ambiente, então eu prefiro os socialistas.

6:07 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

"Ora bem, que as constituições não possam ser alteradas permitindo atropelo arbitrário ou legal dos direitos do indivíduo. Estamos de acordo quanto a este máximo denominador comum?"

António, não estamos de acordo por uma razão: as ideologias fascistas PRESSUPÕEM a ruptura com a ordem constitucional: Pinochet chegou ao poder por um golpe, não por eleições. Hitler alterou o regime depois do incêndio do reichstag.

O António parece partilhar uma ilusão muito comum entre os ultraliberais: a ilusão da neutralidade perante os políticos, ao qual dão o apoio em troca de reformas económicas - ver o caso de amor entre os chicago boys e pinochet.

A ideia é que "a longo prazo" o liberalismo económico faz bem aos países - por isso que importa se um tipo assassinar estádios cheios de opositores ou impuser o culto da sua própria personalidade?

E é exactamente esse o problema antónio: eu concordo com muitas das reformas económicas que propõem, mas seria incapaz de vos apoiar politicamente.

Se para ser "liberal" é preciso tolerar ditadores, aturar criacionistas, e encolher os ombros perante a destruição do meio ambiente, então eu prefiro os socialistas.

6:08 da tarde  
Blogger AA said...

Luís,

O MDC que eu referia era a superioridade moral dos direitos dos indivíduos. Não tenho a pretensão de querer que concordemos com mais do que isso :)

Eu considero essencial que direitos invioláveis da pessoa humana estejam blindados na Constituição de um Estado que se preze. Não se admite que um Estado, por muito virtuoso que seja, possa atropelar as garantias que é suposto providenciar a indivíduos ou minorias. Nestas condições, partidos de ideologia totalitária (fascistas ou comuno-fascistas — como muito bem diz f. na sua mais recente alocução) teriam a mesma liberdade política que todos os outros movimentos, mas nenhum acesso ao poder político que precisariam para subverter os princípios democráticos. Isto mesmo que democraticamente eleitos. Como é óbvio, qualquer "compra de votos" pressupõe este tipo de "regras do jogo".

E não preciso não confundir liberalismo com aquilo que não é. Pinochet era um ditador e um assassino. Lá porque adoptou a economia de mercado em vez de uma economia socialista, isso não justifica minimamente o seu regime. A economia de mercado é o sistema económico mais próximo do liberalismo, mas a liberdade política é componente fundamental. Não é liberal um país onde se assassinam opositores políticos. Claro que a abertura económica que Pinochet permitiu à população (correcção: a alguns sectores seleccionados da mesma) precipitou a sua queda. O mesmo acontecerá na China, que também é um regime abjecto, e onde também estiveram os de Chicago - apesar dos chineses estarem do outro lado do espectro.

7:49 da tarde  
Blogger João Pedro said...

"Lá porque adoptou a economia de mercado em vez de uma economia socialista, isso não justifica minimamente o seu regime. A economia de mercado é o sistema económico mais próximo do liberalismo, mas a liberdade política é componente fundamental."

É sempre tranquilizaDOR ouvir isto da parte de um liberal, porque por vezes dá ideia que a liberdade política é acessória. Mas tenho algumas dúvidas de que a abertura dos mercados, por si só, torne a China uma democracia.

11:44 da tarde  
Blogger JB said...

3- A descriminacao racial nao é certa ou errada porque impoe custos iou coisa que o valha, mas porque...é descriminacao racial. Da mesma maneira que Hitler nao estava errado porque os judeus ciganos e companhia fossem melhor utilizados noutras areas produtivas o racismo nao é errado porque é uma practica desvantajosa. O simples facto de PA (e pelo vistos tu tambem) ousarem a olhar questoes eticas fundamentais sob a optica custo/benef é ´algo´ arrepiante - João Galamba

Caro João Galamba,

In a nutshell é isso. Mas é muito mais: entristece-me que liberais andem a defender as vantagens da pena da morte e a escravatura. Eu que sou liberal. Sinto que o liberalismo regride anos com este tipo de ideias lunáticas. Chamam-lhes provocações, eu chamo-lhes dejectos.

3:29 da manhã  
Blogger JB said...

Eu considero essencial que direitos invioláveis da pessoa humana estejam blindados na Constituição de um Estado que se preze - AA

Caro AA,

Acha que estão com um governo comunista ou fascista?

Faz lembrar a ideia de que um regime de um monarca absoluto que respeitasse a vida, liberdade, propriedade seria melhor do que uma democracia assente no Estado Social. Pergunta-se: como é que se controla um poder absoluto? Como é que se garante que esse poder absoluto não anda a matar judeus ou pretos no dia seguinte ao compromisso de respeitar a constituição? O pensamento político dos liberais anda muito por baixo. Parece que estamos a fazer filosofia política no espaço...

3:36 da manhã  
Blogger AA said...

João Pedro,

É sempre tranquilizaDOR ouvir isto da parte de um liberal, porque por vezes dá ideia que a liberdade política é acessória. Mas tenho algumas dúvidas de que a abertura dos mercados, por si só, torne a China uma democracia.

A malta "liberal" só insiste tanto e tão obsessivamente na liberdade económica porque entende que é uma componente da liberdade política. Da liberdade política do indivíduo, que se deve sobrepor aos "direitos" do colectivo. Quando uma pessoa não tem o direito de dispor da sua propriedade ou do seu poder de trabalho— e escravatura _é_ uma proibição de uso da propriedade fundamental do ser humano (o seu corpo e a sua vontade)—, não tem verdadeiro poder político.

Agora a parte polémica: uma economia de mercado proporciona mais liberdade económica e política, e tem maior potencial "libertador" que uma economia centralizada. Isto, repito, não justifica ou desculpa (que é uma palavra nojenta quando aplicada nestes contextos) quaisquer totalitarismos...

11:16 da manhã  
Blogger AA said...

JB

entristece-me que liberais andem a defender as vantagens da pena da morte e a escravatura

A não esquecer que o AA defendeu ali em cima o uso de bomba atómica para matar gente. Especialmente amarelos. Escrevam isso não vá alguém esquecer-se.

O pensamento político dos liberais anda muito por baixo.

A limitação do poder do Poder é um assunto central ao liberalismo. De um ponto de vista liberal, qualquer poder absoluto, seja monárquico ou democrático, não é liberal. Qualquer Governo absoluto é estruturalmente aceitável, mesmo que seja temporariamente benigno. Se um Governo dispõe de poderes arbitrários que pode usar para fins tirânicos, o Estado que o permite não é liberal. É por isso que é tão importante a separação de poderes e checks and balances mútuos. Para que ninguém possa concentrar poderes, pertençam (liberdade política e económica) ou não (força) aos indivíduos.

O contrário acontece. As monarquias, que são vistas por propaganda republicanas como uniformemente absolutistas, podem ser liberais, na perspectiva de serem manietadas para não fazerem mal a ninguém. Tal como um país pode ter um Rei que é na prática uma figura de proa, sem verdadeiros poderes, também pode ter governantes a brincar aos nazis ou aos comunas. Como é óbvio, a democracia limitada é o ideal liberal.

11:37 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

“3. Primeiro, não tenho nada contra a discriminação racial privada. Não admito é a agressão, seja racialmente motivada ou não, ou racismo estatal, seja negativo (jim crow) ou positivo (affirmative action).”

Hhmmm…, admite então que empresas privadas de transporte, transportem pretos atrás e brancos à frente (ou vice versa) ou que os restaurantes (também privados) possam impedir negros (ou brancos, ou amarelos…) de entrar. É isso?

Eu peço desculpa, eu devo ser um gajo muito emotivo, histérico até, mas aquelas afirmações do Pedro Arroja sobre a escravatura e a pena de morte (pelo menos essas), dão-me volta ao estômago. Ó AA, dizer que a escravatura tinha vantagens económicas para os escravos é, e basta isso, moralmente errado e de uma falta incrível de pudor. Para além de ser cientificamente estúpido, claro.

António

2:30 da tarde  
Blogger AA said...

[estranho, coisas do Blogger, respondi a este comentário e não cá aparece, resumo a minha anterior intervenção]

Caro António,

Eu defendo que os privados devem poder discriminar e fazer profiling. Isto inclui discriminação de pretos "contra" brancos. Tudo, obviamente, sem coacção. Claro que é estúpido e é socialmente-imoral discriminar, mas não deve a lei impor inteligências ou morais, porque essas imposições não só são atropelos à liberdade, como são ineficiente e gastam recursos, como descambam. Quanto a isso, deixo um texto conhecido de Sowell: "Rosa Parks: Pursuit of Profit vs. Racism".

Quanto à escravatura e a pena de morte, estou consigo na sua rejeição moral. Mas a economia não é moral. A ciência não é moral. Pode-se estudar os actos mais abjectos sem passar juízos de valor. As atitudes contrárias (não estudar porque é "errado", ou fazer da ciência um juízo de valor) é obscurantista. De resto, concordo com o JM neste assunto...

11:15 da tarde  
Blogger 日月神教-任我行 said...

AV,無碼,a片免費看,自拍貼圖,伊莉,微風論壇,成人聊天室,成人電影,成人文學,成人貼圖區,成人網站,一葉情貼圖片區,色情漫畫,言情小說,情色論壇,臺灣情色網,色情影片,色情,成人影城,080視訊聊天室,a片,A漫,h漫,麗的色遊戲,同志色教館,AV女優,SEX,咆哮小老鼠,85cc免費影片,正妹牆,ut聊天室,豆豆聊天室,聊天室,情色小說,aio,成人,微風成人,做愛,成人貼圖,18成人,嘟嘟成人網,aio交友愛情館,情色文學,色情小說,色情網站,情色,A片下載,嘟嘟情人色網,成人影片,成人圖片,成人文章,成人小說,成人漫畫,視訊聊天室,性愛,性感影片,正妹,聊天室,
情色論壇

9:42 da tarde  
Blogger 日月神教-向左使 said...

AV,無碼,a片免費看,自拍貼圖,伊莉,微風論壇,成人聊天室,成人電影,成人文學,成人貼圖區,成人網站,一葉情貼圖片區,色情漫畫,言情小說,情色論壇,臺灣情色網,色情影片,色情,成人影城,080視訊聊天室,a片,A漫,h漫,麗的色遊戲,同志色教館,AV女優,SEX,咆哮小老鼠,85cc免費影片,正妹牆,ut聊天室,豆豆聊天室,聊天室,情色小說,aio,成人,微風成人,做愛,成人貼圖,18成人,嘟嘟成人網,aio交友愛情館,情色文學,色情小說,色情網站,情色,A片下載,嘟嘟情人色網,成人影片,成人圖片,成人文章,成人小說,成人漫畫,視訊聊天室,性愛,性感影片,正妹,聊天室,
情色論壇

6:36 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home