16.9.06

Das Kapital.

As mesmas lojas Vuitton e Boss, as mesmas colónias Acqua di Parma, o mesmo jazz nas mesmas poltronas de um Starbucks, as mesmas boutiques com nomes franceses (Anthropologie, Philosophie, Coquetterie), os mesmos kaiten-sushi e os mesmos hotéis do Starck, os mesmos sapatos Bally com 30% de desconto nos terminais de aeroporto de Paris, Los Angeles, Sidney, Berlim. Quem conhece um pouco do mundo sabe que está cada vez mais igual. Há uns anos perdi as ilusões ao encontrar, nos antípodas, os meus perfumes de Santa Maria Novella e os meus chocolates Dalloyeau. Essa descoberta teve a força de uma revelação: se qualquer pessoa, em qualquer canto do universo, tinha acesso ao que antes existia apenas numa rua tranquila de Florença, que sentido poderia um objecto acrescentar à nossa identidade? Hoje compro tudo o que posso na H&M, poupo dinheiro e já não quero saber.

Entretanto, li este parágrafo:

Capital burns off the nuance in a culture. Foreign investment, global markets, corporate acquisitions, the flow of information through transnational media, the attenuating influence of money that's electronic and sex that's cyberspaced, untouched money and computer-safe sex, the convergence of consumer desire -- not that people want the same things, necessarily, but that they want the same range of choices.

Don Delillo, Underworld.

É aquilo que fazemos que nos torna únicos?

5 Comments:

Anonymous Anónimo said...

AHAHAH! A tenebrosa vitória das massas. Estava escrito.

4:14 da tarde  
Anonymous javali de Dürer said...

O que nos torna únicos é deixarmo-nos desses problemas de "classe" e limitarmo-nos a apreciar a vida. Ó Luís, deixe esses dilemas para o Eduardo Pitta.

7:58 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Tudo é reduzido a "questões de classe" nesta terra, mesmo quando discutimos gostos e identidade. Acha, leitor, que este post seria visto como uma questão de "classe" por alguém que o lesse na Suécia ou na Austrália?

Quando eu digo que prefiro Musil a Saramago, isso também é uma questão de classe?

8:10 da tarde  
Anonymous javali de dürer said...

Sobretudo quando discutimos gosto e identidade, diria eu... Infelizemente, tudo é reduzido a questões de classe em todo o lado. Até na Suécia. Seja como for, retiro o que disse se interpretei mal a sua ideia. Creio que foi o título que me pôs na direcção errada.

9:07 da tarde  
Blogger hidden persuader said...

Enquanto vivermos em "manada" seremos sempre aquilo que os outros pensam de nós ... ou seja, reféns de uma identidade colectiva unicamente construída em cima de símbolos artificiais de apreciação: BMW's, Ermenegildo's, Adida's Yohji Yamamoto, Imaginários Wallpaper e GQ, Bally's (por acaso tenho 1 carteirinha jeitosa desta marca, oferecida pela minha cara metade que a comprou em Heathrow). Que ironia. O meu "eu" só existe depois do "nós". Não há dúvida ... "l'enfer, c'est les autres".

10:03 da manhã  

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