15.9.06

Eco e Narciso.

Não sou o meu assunto disse, salvo erro, Gore Vidal. E no entanto, como é absurda a afirmação: se Vidal não é o seu assunto, quem o será? Wagner, em Veneza, ouvia músicas de Wagner no café Quadri: também ele era o assunto de si próprio. Dos cinco ou seis autores autores que marcaram o século (o século XX, ainda em vigor), Proust, Musil e Joyce - para quem gosta de Joyce - eram o seu assunto. Kafka, possivelmente, não. Conrad? Em metade das obras, sim - em outras, aparentemente, não. Podemos escapar ao confessionalismo? Se para isso for preciso ignorar a psicologia, talvez seja tarde.

3 Comments:

Anonymous Thomas de Quincey said...

Não é a confissão o romance em si? Borges observou a propósito das sagas, que a épica apenas menciona acções, efeitos. Jamais paisagens, por exemplo; e invoca Boccacio/Chaucer para sinalizar o momento em que tudo mudou para a interpretação. No fundo, para o romantismo.

7:34 da tarde  
Blogger Joshua said...

O olhar com que observamos é retroactivo. A psicologia é um confessionário levado ao requinte.

O problema é a absolvição.

7:50 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Conheço um admirador de Borges pelos pseudónimos: sim, o velho era capaz de ter razão.

12:30 da tarde  

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