13.9.06

Gaceta de Bogotá.

No julgamento do caso da ponte de Entre-os-Rios, o Ministério Público pede a condenação dos arguidos, mas sugere que lhes seja aplicada uma amnistia.

Entretanto, a Ordem dos Notários prepara-se para desobedecer a uma lei acabada de aprovar, solicitando aos seus membros que recusem documentos autenticados por advogados e solicitadores.

Nas ruas, Valentim Loureiro, Filipe Vieira e Pinto da Costa passeiam-se entre processos abafados, arquivados ou prestes a arquivar, enquanto a imprensa se enche de morceaux choisis das escutas que lhes fizeram e das enormidades que confessaram ao telefone.

O combate à corrupção ficou de fora do novo pacto para a justiça - num país em que ninguém, repito, ninguém está preso por ter recebido luvas ou pago favores.

O virtuoso Armando Vara, recordemos, continua administrador, e sonha talvez com a presidência da Caixa Geral de Depósitos - um banco pesado e inútil, que só pertence ao Estado português para dar emprego a pessoas como Armando Vara.

Cinco ou dez minutos em contacto com os nossos media chegam e sobram para a melancólica conclusão de sempre: Portugal inteiro, os seus políticos, os seus magistrados, os seus notários, o seu povo, continuam viciados na impunidade.

Falam do exemplo finlandês, mas seguem o colombiano.