8.9.06


A grande aventura literária deste século seria combinar elegância com humor. Há mais de duzentos anos que ninguém consegue. Proust, por muito que digam os idólatras, não era um humorista. Wilde, apesar do dandismo e das garrafas de champagne, nunca foi sofisticado (as suas personagens são horrivelmente amaneiradas ou absurdamente sentimentais). Nabokov é corrosivo, Bloomsbury um bocejo refinado, a gente da New Yorker, quando escrevia livros, achava-se séria e socialista. Evelyn Waugh tentou, mas falhou. O convívio entre elegância e humor, para nosso mortal aborrecimento, chegou ao fim em 1789.

8 Comments:

Blogger Joshua said...

Também tenho saudades de Voltaire, que morreu antes.

As revoluções tornaram-se apologéticas, boa-nova da igualdade servida com canhões, a tolerância e a fraternidade garantidas pela guilhotina.

Os Livros Sagrados da fé ideológica, no seu teórico rigor mortis dogmático, são inapelavelmente sisudos e levam escatológico castigo para todo o lado. Pol Pot, Estaline, eram Messias vindo entre as nuvens a separar cabritos de ovelhas limpando a terra pelo matadouro.

Talvez a complexidade dos tempos presentes nos devolvam a relatividade do humor, a equidistância do humor na literatura.

1:42 da tarde  
Blogger sabine said...

«O convívio entre elegância e humor, para nosso mortal aborrecimento, chegou ao fim em 1789». Olha, outro Joao Carlos Espada!

3:11 da tarde  
Blogger João Miguel Almeida said...

Javier Marias tem páginas de enorme humor e elegância. Já agora, George Orwell também, embora o seu humor seja muito marcadamente britânico.

4:55 da tarde  
Anonymous post-it® said...

Nunca percebi essa do humor britânico: qual é a diferença entre o humor britânico e o bom humor? (não estamos a falar de javardos como nos programas das anedotas, note-se)

5:21 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Voltaire e muitos outros, joshua.

5:35 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

o nosso Eça não conta?

9:46 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

talvez, leitor anónimo, talvez.

1:17 da tarde  
Blogger João Villalobos said...

De todo Luís, há que lembrar Jerome K. Jerome. Três homens e dois livros de um humor actualíssimo, seja de bote ou de bicicleta :)
Abraço

4:32 da tarde  

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