14.9.06

É lamentável que a Santa Inquisição tenha sido extinta pelas Cortes Gerais de 1821.

Com o seu conhecimento da história, a sua obsessão com a virtude e uma insuperável mestria na subtil arte da desqualificação, Pacheco Pereira ficaria bem de olhinhos ausentes e rosto macerado, em frente à fogueira quase extinta de um auto-da-fé, aquecendo as mãos sedosas nas ruínas calcinadas de um cadáver fumegante.

Os leitores que assistiram ao seu, como direi, entaramelado desempenho no Prós e Contras de segunda-feira não estavam com certeza à espera que a vingança contra Mário Soares tardasse muito. Não só não tardou, como veio antecipada, nas páginas oportunas da revista Sábado. Vejam com que panache Pacheco Pereira associa aqui Mário Soares aos tristes governos de Evo Morales e Hugo Chávez:

Duas ditaduras estão rapidamente em construção na América Latina. Como não são militares de óculos escuros, ao serviço da CIA, ninguém diz nada. Na Bolívia, o Movimento para o Socialismo do Presidente Evo Morales, fez aprovar de forma anticonstitucional legislação que possibilita ao regime impor tudo o que quiser a pretexto do carácter "originário" da Assembleia Constituinte; na Venezuela, Chávez prepara-se para se declarar Presidente Vitalício. O apoio político a Morales e Chávez tem vindo em Portugal dos que se reclamam do altermundialismo de Porto Alegre, verdadeiro cadinho político desses dois candidatos a ditadores, ou seja, o BE, Boaventura de Sousa Santos, Mário Soares, entre outros. Seria interessante saber o que pensam sobre os seus amigos latino-americanos.

Dando de barato que os eleitos Chávez e Morales se comparam ao usurpador Pinochet, e admitindo até que desejem chacinar estádios inteiros de opositores ou atirar chefes de família para o alto-mar, concentremo-nos no argumento essencial:

Mário Soares é aliado dessa gente porque, tal como ela, participa nos encontros de Porto Alegre e quer impor algumas regras à globalização.

Permitam-me agora um salto abrupto ao post imediatamente anterior do blog com o mesmo nome. Aqui, Pacheco Pereira insurge-se contra o Bloco de Esquerda e contra Francisco Louçã, por este comparar a classe empresarial portuguesa à máfia:

Ora para quem é Corleone, para quem é da máfia, só há uma resposta - se nós levássemos a sério Louçã e o seu BE, o que num acto de bom senso não levamos, titularíamos o seu discurso inflamado, com caixa alta: “Louçã quer prender os empresários portugueses “. Ninguém fará isso, mas que é fiel á letra e ao conteúdo do comício do BE, lá isso é.

Compreendem? Podemos comparar Soares a Morales e a Chávez sem qualquer escrúpulo, mas já é indecente juntar numa única frase Carrapatoso, Belmiro e Corleone. E mais: para além de incorrer no mesmo tipo de associações que condena nos outros, Pacheco Pereira ainda espera que Mário Soares se explique pela associação que ele, Pacheco, faz.

Se me perdoarem os mesmos vícios de argumentação concluirei, à maneira do famoso comentador, que Torquemada não faria melhor.

12 Comments:

Anonymous Anónimo said...

ó homem, v. ex.ª é uma nulidade em interpretação! primeiro vê num debate aquilo que ninguém viu. depois tenta comparar o que não tem comparação. por acaso o belmiro e o carrapatoso apoiam o corleone? têm negócios com a máfia? encontram-se para debater ideias? dá para perceber a diferença? um conselho: coloque a pistola na boca e carregue no gatilho.

5:49 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

ou então mude o nome do blog para "O fraco atirador". é que são todas ao lado...

6:10 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Ora, se não me engano o meu amigo vem do insurgente, ou daquele outro blog com um nome difícil de pronunciar. Seja como for, um bobo será bem-vindo a esta caixa de comentários.

6:39 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

por acaso, agora venho directo sem passar pelo insurgente ou por aquele "outro blog com um nome difícil de pronunciar". mas v.ex.º sabe como são os bobos. quando encontram ditos chocarreiros, truanices e esgares não largam.

6:42 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Claro que não largam, caro amigo. Principalmente quando moram em São Domingos de Rana, onde há tão pouco para fazer.

6:44 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

e que mal é que tem morar em São Domingos de Rana? por acaso o presidente soares tem lá uma casa?

6:54 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Se for apenas mal educado, e não excessivamente neurótico ou ameaçador, não há mal nenhum, "anónimo". Devo avisá-lo, no entanto, que apago comentários deselegantes. E com isto dou por finalizado o nosso diálogo.

7:10 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Não é novidade que, no caso de JPP, o "homo logicus" está na dependência do "homo politicus" (de formação conhecida e pouco recomendável). Não retira mérito à desmontagem. Acrescentaria apenas que, aprofundando a trama associativa de JPP, ele, JPP, também tem muita explicação a dar. Por exemplo, a sua simpatia pela família real saudita.

7:52 da tarde  
Anonymous Pierre said...

Boa! Também reparei no paralelismo de associações nos posts.

Mais, dia 12 foi só fotos e 13 serviu a vingança morna.

10:48 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

não diria melhor, leitor.

11:04 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Excelente post.

12:19 da tarde  
Anonymous Diario La Época said...

PETROBRAS UNA PIEDRA EN EL ZAPATO DE LULA:

La renuncia de Soliz Rada marca el momento más bajo del gobierno
La renuncia del ministro Andrés Soliz Rada el viernes representa la crisis más seria sufrida por el gobierno en siete meses de gestión. Implica perder a la columna vertebral del plan de nacionalización del gobierno, que a su vez es el pilar de la gestión gubernamental entera. Tras la caída de Jorge Alvarado, ex presidente de YPFB, la renuncia de Soliz Rada afecta al corazón de la gestión presidencial.
En un escenario de desorganización y desconcierto en el que se desarrolla en las últimas semanas el Poder Ejecutivo, y cuando el presidente está ausente del país, la salida de la figura clave del gabinete ahonda una crisis que tiene varios flancos: una nacionalización que no termina de funcionar, un frente regional fuerte y de creciente poder y una Asamblea Constituyente que muestra caos en vez de su supuesto propósito de generar un pacto social.
Afectado por tantos asuntos, el gobierno debe reconducir por completo su gestión: en vez de seguir apretando el acelerador debe apretar el freno: aceptar los dos tercios de votos para la Asamblea, recomponer el proceso de nacionalización con un nuevo ministro y procurar un arreglo razonable con Petrobras. Los gobiernos deben guiarse por lo que les señala la realidad. Y la realidad en este momento es adversa a una gestión presidencial marcada por el desorden y la debilidad, lo que es una paradoja puesto que el gobierno controla más de la mitad del Parlamento y la Asamblea.
Si el gobierno hubiera empezado por aceptar lo que señala la ley de convocatoria a la Asamblea (ésta no será originaria y las decisiones se tomarán por dos tercios), el Ejecutivo seguiría mostrando poder y centralidad en la política. Al no cumplir con lo que el propio gobierno se había comprometido, éste se ha autodebilitado.

Origen de la renuncia
Un nuevo capítulo de la reciente historia de confrontaciones entre el gobierno y la empresa estatal brasileña Petrobras se registró la semana pasada, cuando el gobierno intentó recuperar para el Estado la actividad de la refinación de hidrocarburos, pero se enfrentó a la amenaza de la petrolera brasileña de iniciar contra Bolivia un juicio en tribunales internacionales para revertir una medida que consideró "confiscatoria".
Este nuevo incidente determinó que la estrategia de conciliación iniciada por el vicepresidente Alvaro García Linera se reforzara frente a la estrategia de confrontación llevada adelante hasta hace pocas semanas por el ministro de Hidrocarburos, Andrés Soliz Rada. Pero también significó que el gobierno cediera ante la petrolera más importante que opera en el país y se resiste a adecuarse a la nacionalización decretada el pasado 1 de mayo. Al verse sobrepasado por el vicepresidente, Soliz Rada presentó su renuncia "irrevocable".
El martes12 de septiembre, el Ministerio de Hidrocarburos determinó, mediante la Resolución Ministerial No. 207/2006, que, en aplicación del Decreto de Nacionalización de los Hidrocarburos, YYPFB recuperaba el monopolio de toda la cadena productiva de hidrocarburos, incluida la refinación.
Esto no significaba ninguna novedad, puesto que el decreto de nacionalización dispuso que YPFB "a nombre y en representación del Estado boliviano y en ejercicio pleno de la propiedad de todos los hidrocarburos producidos en el país, asume su comercialización, definiendo las condiciones, volúmenes y precios, tanto para el mercado interno como para la exportación y la industrialización". No obstante, una cosa es la generalidad y la ley dispuesta en papel y otra, muy diferente, la aplicación de la normativa en la realidad, especialmente si, como en este caso, se afectan intereses concretos de una empresa petrolera.

Las ganancias
Petrobras controla el negocio de la refinación en el país mediante la empresa Petrobras Bolivia de Refinación (PBR), después de que, en 1999, adquirió las refinerías Gualberto Villarroel, de Cochabamba, y Guillermo Elder, de Santa Cruz, por un precio de 102 millones de dólares.
Cuando se decretó la nacionalización, Petrobras y el Gobierno brasileño se apresuraron a dejar establecido que esa inversión debería ser reconocida por el Gobierno boliviano y resarcida en caso de una eventual expropiación.
En la resolución con la que el gobierno pretendía recuperar para el Estado todas las actividades de la cadena hidrocarburífera se denunció que Petrobras estaba logrando "rendimientos inadecuados e irracionales, en detrimento del consumidor interno".
La Superintendencia de Hidrocarburos está facultada por ley para actualizar periódicamente el cálculo del margen de refinación. Sin embargo, la última actualización se realizó en mayo de 2005, según la resolución, "habiendo transcurrido más de un año sin que se haya realizado una revisión del cálculo, pese a las grandes variaciones de precios de los hidrocarburos en el mercado internacional". Por estas razones, el gobierno determinó que "YPFB pagará a cada una de las compañías involucradas en la cadena de comercialización de hidrocarburos líquidos las retribuciones y márgenes que les corresponda por los servicios prestados". De esa forma, de controlar el negocio de refinación en el país, Petrobras pasaba a ser una simple "prestadora de servicios" para el Estado boliviano.

La amenaza de Petrobras
Horas después de conocer la resolución, Petrobras anunció que recurrirá a la justicia boliviana "por la confiscación de las dos refinerías, sin descartar el arbitraje internacional, amparándose en el Acuerdo Bilateral de Protección Recíproca a las Inversiones, vigente entre ambos países".
Después del anuncio de la petrolera brasileña, la ruptura de las negociaciones parecía inevitable, pero esta situación fue revertida por el vicepresidente Alvaro García Linera, quien se comprometió ante el presidente de Brasil, Luis Ignacio Lula da Silva, a "congelar" la resolución, después de que el Gobierno brasileño manifestara su "preocupación" por una decisión "unilateral y grave" del Ministerio de Hidrocarburos de Bolivia de recuperar el control de toda la cadena hidrocarburífera.

La estrategia conciliadora de Linera
Desde agosto pasado, el equipo de hidrocarburos fue reforzado con la participación directa del vicepresidente
García Linera en la negociación y contacto oficial entre el Gobierno boliviano y el brasileño.
A diferencia del ministro de Hidrocarburos, Andrés Soliz Rada, García Linera le otorgó al proceso una tónica más bien conciliadora, en la búsqueda de un acercamiento con el Gobierno brasileño para facilitar y viabilizar la negociación entre las estatales petroleras.
Al congelar la resolución ministerial, García Linera expresó que la decisión obedecía a un deseo de "mostrar una señal para facilitar las negociaciones y crear un clima favorable con Petrobras, que es la empresa más importante que opera en Bolivia". "Es una decisión para crear un clima favorable para las negociaciones y los acuerdos en el cumplimiento estricto de nuestro Decreto Supremo de Nacionalización. Lo que estamos definiendo son los espacios mucho más fructíferos para garantizar que la nacionalización sea exitosa", dijo García Linera. Jamás se imaginó que Soliz Rada renunciaría, dejando al Ejecutivo en una situación de verdadera complejidad.
La actitud del Vicepresidente, sin embargo, no logró evitar que la nueva ronda de negociaciones entre YPFB y Petrobras, que debía realizarse en La Paz, quede suspendida hasta el 9 de octubre y que los principales representantes brasileños para la negociación cancelaran su viaje a Bolivia.
Aunque, según García Linera, "la nacionalización va y no se detiene", la suspensión de la resolución significó también que el gobierno cedió en sus posiciones iniciales, después de un prolongado plazo en el que las negociaciones con Petrobras no dieron resultado. La salida de Soliz, el ministro de mayor prestigio del Ejecutivo, empeora la situación. (DO y RPU)

8:52 da manhã  

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