19.10.06

Antigamente encontrava em Shakespeare e Proust uma característica comum, a que chamava neutralidade. Hoje em dia sei que é compaixão.

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Brilhante, mas gostava mais quando as frases eram mais longas. Queria aproveitar para recomendar-te o filme "Little Miss Sunshine". Pode não ser brilhante, mas tem boas referências literárias e vais divertir-te concerteza. Desculpa o meu mau português mas não sou portuguesa e desculpa também a aparente falta de seriedade deste meu comentário. Beijos. D.

9:12 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Obrigado, amável estrangeira. Já vi o Little Miss Sunshine - e realmente divertiu-me.

O seu português é tão bom que eu seria capaz de jurar que a leitora tinha nascido cá.

Quanto às frases: também gosto das mais longas, mas demoram muito tempo a escrever.

Fazemos o que podemos.

1:21 da tarde  
Anonymous sandra costa said...

Se desatar a resumir Proust num par de disparos frásicos, garanto-lhe que estará (ainda que involuntariamente) a expulsar os meus olhos daqui.

É lá escritor sumariável, Luís. Já é tão 'difícil' de ler, quanto mais resumir.

Mas talvez concorde, sim, compaixão. Dó. Misericórdia. Pena. O sentimento mais torpe que dele se poderá extrair e que assenta em nós que nem luva.


A despropósito: Continuo à espera de notícias sobre o Filelodge. Já experimentou o Tripod?
Já é tempo de azucrinar a ralé com Haendel.

7:03 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

"Se desatar a resumir Proust num par de disparos frásicos, garanto-lhe que estará (ainda que involuntariamente) a expulsar os meus olhos daqui."

E por que não protestar contra o meu resumo de Shakespeare Sandra?

Este é um espaço de liberdade onde cada um faz e diz o que lhe apetece - e eu, pelo menos, não quero saber como me avaliam.

Quanto à música, ando indeciso.

9:55 da tarde  
Anonymous sandra costa said...

Caro Luís,

É no seguimento do mesmo sentimento, que foi anteriormente inofensivo e sem quaisquer intenções obscuras, que volto a comentar. Por trás da tela dificilmente temos percepções correctas do estado de espírito dos leitores/comentadores quando estes comentam, ou se armam em comentaristas. Se calhar, lá está, ficou com a ideia de que não só me armei em comentarista, como também fui ofensiva; talvez porque eu tenha ficado, depois de ler a sua reacção ao meu comentário, com a impressão de que ficou arreliado com o que eu escrevi. Talvez nos tenha ficado a faltar os tão badalados smiles, os mesmos que dão sempre a impressão do nível ‘porreirista’ a que todos querem chegar. Bloguistas e comentadores.

Para não criarmos macaquinhos despiciendos nas nossas cabeças, vou-lhe dizer que: Sim: tenho um ‘fraquinho’ por Proust. [Deus me livre se Proust ouvisse isto. Enforcava-me de vergonhas. Acabei de sentir vergonha.].
Sim: introduzi um certo drama teatral (sem comédia – e nisto fiquei em falta); eventualmente a minha entrada foi tão súbita, quanto, ao que contrariamente tenho vindo a demonstrar no “Franco Atirador”, inusitada. Dei o primeiro passo e tropecei logo. Como as crianças quando aprendem a caminhar. Shakespeare é uma lição de palco. Terei de ler mais, porque não basta dele ter aprendido que está realmente tudo podre em qualquer reino.
Sim: eu pecadora me confesso. Não tenho, no meu blog, o espaço de comentários aberto, mas caio muitas vezes na tentação de meter bedelho no espaço alheio. Exagerei. Obviamente que podemos escrever o que nos der na real gana, Luís, e onde quer que seja. Ninguém tem o direito de se armar em moralista, paternalista, ‘bacoquista’ ou fascista sobre a nossa liberdade de expressão. E por esta ordem de ideias reconheço que exagerei e disparei uma certa ideia de pretensiosismo. Contudo, creia, também quis brincar, mas, não obstante a minha idade tenra, carrego demasiada seriedade nos modos.
Acho que, francamente, ambos disparamos depressa demais. E ambos acabámos por atingir os próprios pés. Quarto às escuras, a blogosfera.
Também costumo ser muito crítica em relação a aforismos e ‘emprateleiramentos’ rígidos (as célebres ideias feitas) de pessoas e objectos. Um pouco também por isto escrevi o que escrevi. Claramente me precipitei. A culpa é dos ‘fraquinhos’ e da arrogância, quem sabe, em mim irremediáveis. Olhe, se calhar a culpa (palavra tão torpe, esta) também é de quem me habitua todos os dias a usar colete à prova de balas. Anda tudo no disparo e às escuras. Ao fim das contas, isto não passa do regabofe comum.
Não me leve a peito. Sério. E desculpe. Agora vou adormecer, como habitualmente tenho feito, com o meu mais velhinho amigo morto: o Marcel.
Fumemos o cachimbo da paz.

Quanto à música: acabei de apertar com a pessoa que percebe de Filelodge. Não. Não acordei ninguém a estas horas por semelhante assunto. A pessoa em causa costuma acordar entre as 3h-3h30 para regar as plantas. [piadinha velha. Vá lá, ria]
Decida pela música. Gostarei ainda mais do blog. [Ui! e acabei de quebrar a regra nº 1 dos meus princípios blogosféricos: jamais assumir comportamentos de galinheiro do género (e isto ensinou-me um amigo meu):
_ Olha, olha, olha. Eu gosto muito do teu blog.
_ Ai sim? Então vou ao teu dizer que gosto muito do teu blog.
_ Ai vais? Então eu depois vou ao teu agradecer por teres dito que gostas muito do meu blog.
_ E fica combinado, desde já, que seguidamente irei ao teu agradecer por teres vindo ao meu agradecer por eu ter ido ao teu blog dizer que gosto muito do teu blog.
_ Ai gostas mesmo? Então blá blá blá blá…
_ Blá blá blá blá…

Cai o pano.

3:47 da manhã  
Anonymous sandra costa said...

Errata: ler: ambos disparámos. Se bem que no presente também se possa aplicar.

3:53 da manhã  

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