6.10.06

Deus castiga.

Mal certas pessoas proferem umas verdades a propósito do serviço público, e logo a Divina Providência se encarrega de as colocar entre vinte mil docentes encolerizadas: foi assim que ontem à tarde caí nas garras de uma manifestação de professores no Rossio.

A praça estava cheia de mulheres empunhando bandeiras que exigiam respeito, motivação e outros salamaleques. Diga-se em abono da verdade, eu até gostei daquilo que vi: as professoras, hoje em dia, são mais jeitosas que nos tempos da minha estouvada adolescência.

Antigamente, ou eram destroços do Maio de 68 ou então imitavam com sucesso o visual da doutora Maria de Belém. Se na minha escola secundária se exibissem os saudáveis exemplares de pedaços de mulher que ontem pediam respeito em frente da pastelaria Suíça, talvez me tivesse demorado um pouco mais no remanso da escolaridade obrigatória.

Até as jovens mães, que aconchegavam rechonchudas crianças no regaço auspicioso, me pareceram agradavelmente edipianas. A essas não daria apenas respeito: dava-lhes também um banhinho e punha-as a fazer Ó-Ó. Ainda por cima receberam-me bem, as manifestantes: desde que entrei em Umea, uma cidade universitária no centro da Suécia, que não me lembrava de ter sido olhado com tanta concupiscência - lá, na escandinávia, porque era moreno; aqui, em Lisboa, porque sou homem. Vejo que a competição nas escolas continua desfavorável ao belo sexo.

Infelizmente não pude retribuir as amabilidades que adivinhei no olhar daquelas afectuosas revolucionárias, pois estava com pressa e ainda tinha de me vestir para um jantar. No entanto, recordarei com prazer o sorriso doce de uma rapariga que, à saída para os Restauradores, quase me deu com uma bandeira na cabeça. O pano dizia professores em luta. E eu asseverei-lhe:

- ó camarada, você está em luta mas não é comigo!

Pronto, está bem: camarada eu não disse.

2 Comments:

Anonymous pierre said...

Seguindo a dica do Pitta, acho que devemos pagar os ordenados às professoras, às médicas e às enfermeiras!
A saúde e a educação não devem ser atiradas para o mercado.


Quanto a informação estatística, não sou um conhecedor, mas a eurostat deve dizer algo.

http://epp.eurostat.cec.eu.int

9:03 da tarde  
Blogger zazie said...

AHAHAHAHAHAHA

Podes crer! e o gajo quando há, se não é ceguinho e prof. de música, é bronco de ginástica ou pouco gajo

":O))))

1:19 da manhã  

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