31.10.06

Frei Tomás.

Tenho observado que os defensores do não no referendo sobre o aborto são, na esmagadora maioria, homens. Eles seguem, talvez, o magnífico exemplo daqueles padres que, tendo feito voto de castidade leccionam cursinhos de preparação para o matrimónio.

12 Comments:

Blogger Kate said...

tem observado mal......

e caso não se tenha dado conta, cátedra excelência da nossa praça científica, o pai de uma criança também tem alguma coisa a dizer.

Ou se a sua mulher matasse um filho seu, o senhor achava que era uma decisão dela?...

1:00 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

hmmm, que cheirinho a incenso...

3:14 da tarde  
Blogger Alice in Wonderland said...

Eu ainda gostava que alguma alma iluminada me explicasse como é que um homem (na prática) pode impedir uma mulher de abortar (fecha-a em casa durante os nove meses?).

E quando é o homem que quer praticar o aborto e a mulher não? A sua palavra continua a contar?

3:32 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Alice, aonde quer chegar exactamente?

3:41 da tarde  
Blogger Jardim do Arraial said...

Cara Alice:

O homem não tem de impedir a mulher de abortar. É a Lei que o deve fazer. Se ela o fizer clandestinamente, pois, acaba a relação e ela que vá fazer abortos de homens com a moral dela. É simples, quando um casal se ama, não se nega o fruto desse amor, quando um o faz unilateralmente, assume SOZINHO as consequências.

Quanto a ser o homem a querer o aborto...que interessa isso? A Lei protege o feto, logo a mulher não tem com que se preocupar em relação ao filho mas sim com a viabilidade da sua relação.

5:05 da tarde  
Blogger Alice in Wonderland said...

Caro Luís,

Quero chegar exactamente aqui:

Todo este "ruído" em torno de se a decisão deve estar contemplada na pergunta como sendo exclusivamente da mulher serve apenas para isso, para criar "ruído" (validade efectiva, na prática, a meu ver, não tem nenhuma).

Aceito alguns argumentos do Não, mas não posso aceitar "chavões" atiradas para o ar, de forma leviana.

E a minha dúvida é esta, se o Não fosse chamado a criar mecanismos que garantissem que a decisão não era exclusivamente da mulher, o que é que propunha? Não gosto de coisas, assim, no ar, que se dizem só porque fica bonito.

5:45 da tarde  
Blogger Alice in Wonderland said...

Caro Jardim do Arraial,

Quanto ao primeiro parágrafo, concordo consigo (note, no entanto que, conforme referiu, a palavra do homem terá, muitas vezes, de ser dita depois do aborto praticado).

Relativamente ao segundo parágrafo:

"Quanto a ser o homem a querer o aborto...que interessa isso? A Lei protege o feto, logo a mulher não tem com que se preocupar em relação ao filho mas sim com a viabilidade da sua relação"

Está a falar de qual lei? A actual ou a que poderá sair deste referendo?

6:02 da tarde  
Blogger Alice in Wonderland said...

Caro Luís,

Repare na sequência:

1º Post Frei Tomás
2º Comentário por Kate "... o pai de uma criança também tem alguma coisa a dizer..."
3º Um comentário que se pode traduzir em "expliquem lá isso melhor, sff, é que não estou a ver como!"
4º Comentário por Jardim do Arraial "... O homem não tem de impedir a mulher de abortar. É a Lei que o deve fazer..." e "... Se ela o fizer clandestinamente, pois, acaba a relação..." e ainda "... quanto a ser o homem a querer o aborto...que interessa isso? A Lei protege o feto..."
5º Comentário por Alice "...Quanto ao primeiro parágrafo, concordo consigo..." e "...Está a falar de qual lei? A actual ou a que poderá sair deste referendo?..."
6º ... continuo à espera!
E, corro o risco de assumir que para os defensores do Não (afinal) é a lei e não o Homem que deve "ter uma palavra" neste assunto (pelo que nem o primeiro comentário, nem o ruído em torno desta questão fazem sentido!).

Pelo que percebi, a nova lei também protege o feto... (era disso que estávamos a falar, não era? De um detalhe na pergunta que vai a referendo para ALTERAR a Lei actual).

Até digo mais, comecei a achar que precisava de uma alma iluminada que me explicasse como é que a coisa se implementava, na prática.

Neste momento, preciso de uma alma iluminada que me explique tudo outra vez! :)

8:34 da tarde  
Blogger Jardim do Arraial said...

Refiro-me à actual Lei, claro. É essa a única que defende o feto.

9:12 da tarde  
Blogger Alice in Wonderland said...

Caro Jardim do Arraial,

Quando os "do Não" se sentem incomodados com o "por opção da mulher", estão a referir-se à pergunta que vai a referendo para uma possível alteração da actual Lei, isto é, estão em desacordo com essa premissa numa Lei futura.

Então, temos de falar na futura lei. Que eu saiba não existe nada na actual que mencione "por opção da mulher", ou há?

À luz da futura Lei, será aceitável que o homem (ou a mãe ou o pai ou o sogro ou a sogra da mulher grávida, já agora) possa decidir que quer que a mulher aborte, mesmo que esta não queira? É que, para mim, é isto (apenas) que a introdução do "por opção da mulher" quer garantir.

Acredito que concorde comigo, já que afirmou que, se a mulher abortar à revelia do homem (e, garanto-lhe, para isso acontecer, basta ela querer, com ou sem despenalização) a este apenas resta terminar a relação (ou, acrescendo eu, denunciar o caso às autoridades, no caso da actual Lei se manter).

Sendo assim, não lhe parece que este argumento do Não (utilizado com tanta pompa), não está à altura da importância que lhe querem atribuir?

9:53 da tarde  
Blogger Jardim do Arraial said...

Não. Não porque o "por opção da mulher", não pretende salvaguarda-la de quem a queira obrigar a abortar, porque esse caso, conforme a Lei actual, já se encontra penalizado.

Essa parte do texto trata-se tão só de uma forma feminista de reservar apenas à mulher a decisão sobre o que se passa no seu corpo. A Lei pretende assim deixar bem claro que esta se trata de um decisão unilateral da mulher.

Trata-se de uma completa deformação legal e social esta. A perversidade é total.

5:13 da tarde  
Blogger Alice in Wonderland said...

Caro Jardim do Arraial,

Tem paciência para ler este longo comentário? (Luís, desculpe a ocupação de espaço)

Insistir em meter o pai da criança ao barulho é uma falsa questão, carregada de hipocrisia e egoísmo, atirada, de forma demagógica para o debate, como manobra de diversão, fazendo, neste caso, as “mulheres do SIM” parecerem ainda mais pérfidas e os “homens do SIM” autênticos paus mandados, desprovidos de vontade própria.

Nesta batalha entre o bem e o mal vale tudo, até a tolice, envolta em elevada sapiência!

Algum dos senhores/as se sentiu incomodado/a por, actualmente, apenas a mulher, os médicos e as parteiras se irem sentar no banco dos réus?

Algum dos senhores/as pensou que, talvez, as mulheres preferissem ter os tais filhos que abortam, se pudessem contar com o apoio dos seus companheiros?

Quantas histórias se conhecem de homens que queriam ter o filho e, porque a mulher, mesmo assim, abortou, ficaram traumatizados para toda a vida?

Deixem de se preocupar com fantasias das vossas imaginações férteis, que só as víuvas beirãs (e eventualmente, algumas transmontanas) é que vão nessa cantiga!

A biologia é mesmo lixada.
De facto, somos nós que os temos, somos nós que somos mães solteiras, somos nós que, quando decidimos ter um filho sem consentimento do pai ouvimos dizer que somos umas manipuladoras, que fizemos aquilo de propósito para o agarrar... coitadinho!

O pai tem de ter uma palavra a dizer? Se todos os pais do mundo tivessem uma palavra a dizer e essa palavra fosse “SIM, quero ter essa criança”, talvez não existissem tantos abortos.

Estou a dar a volta à questão? A mostrar o meu ódio para com o sexo masculino? Tenha paciência!

Esta ideia, errónea, que querem fazer passar de que a mulher aborta e o homem, coitadinho, não quer, só pode estar enquadrada na tal lógica do sentido de humor que Deus quer que tenhamos! Insistem em dar tanta importância a isso porquê? Para justificar existirem mais homens que mulheres no Blog? Essa necessidade de justificação é tal, que não se importam de, repetidamente, passarem a ideia de que a grande maioria dos homens, coitados, não querem que as companheiras abortem e elas é que insistem em fazê-lo à sua revelia?

Se querem meter o homem ao barulho, também terá de ser para o obrigar a assumir o seu papel, mesmo quando ele não quer. Aliás, as sondagens parece que dizem que há mais homens que mulheres a favor do SIM.

Não está na pergunta a frase "com consentimento do companheiro" (como acontece na Turquia, caso único na Europa!)... Se estivesse, o que é que mudava?

Se a mulher quiser e o homem quiser: faz-se! Mas vocês não são contra, de qualquer maneira? Porquê perderem-se em questões menores?

Se a mulher quiser e o homem não: Não se faz! Podendo, no entanto, a mulher recorrer a um vão de escada clandestino, a um hotel em Madrid, ou ao argumento de que o Pai da criança é outro, e esse outro até concorda com o aborto, vai lá com ela e assina que sim. Convém não esquecer que uma qualquer queda aparatosa nas pedras da calçada, também pode ajudar!

Se a mulher não quiser e o homem quiser: Não se faz! Estamos todos de acordo? Não vamos ouvir ninguém dizer que o homem, coitado, não tem poder de decisão e foi obrigado a ter um filho, mesmo não querendo? Ninguém vai dizer que a lei favorece claramente a mulher, nesta questão? Ninguém vai dizer que, na prática, a mulher pode escolher e o homem não?

Admitimos todos, então, que a mulher é o elemento absorvente nesta questão, como o zero na multiplicação e não há volta a dar-lhe?
Será este Cavalo de Batalha feito de Pau Oco?
Muito barulho por nada?

10:07 da tarde  

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