21.10.06

Marie Antoinette.

O filme da Coppola estava condenado ao fracasso. O problema não é da realizadora, nem da reconstituição de época, nem, talvez, da técnica narrativa. O problema é a pobre tonta que escolheram para heroína deste filme. Maria Antonieta é sumamente desinteressante, quase tão desinteressante como a princezinha do povo, a enjoativa e exasperante Lady Di. Ambas casaram com homens aborrecidos, ambas cumpriram a custo a sua função reprodutora, ambas tiveram uma morte violenta, que evidentemente não mereciam. Maria Antonieta cultivava o gosto refinado de Versailles, aparentemente divertia-se e foi crucificada. Diana de Gales era uma sopeirinha irrecuperável, que sofreu como uma madalena, chorou em abundância nos braços de metade dos capitães da guarda real de Windsor e foi parar ao céu. Ponto.

É claro que Sofia Coppola se identifica com o seu assunto, como qualquer rapariga que tenha passado a maior parte da vida a comprar até morrer nas lojas de Beverly Hills. De resto, não há muito a acrescentar: o filme é sumptuoso, deslumbrante e excessivo. O retrato da vida na corte pareceu-me bem feito. A perspectiva, muito femina, só tem a desvantagem de dividir os homens em dois grupos: os latagões com boa estrutura óssea e arzinho à matador, ou os tipos baixos, feios, dóceis e desorientados como Luis XVI.

O filme não é inteiramente mau, pela sua graciosidade visual. Mas fico com pena que ninguém em Hollywood se dedique a gente interessante, como Talleyrand ou o extraordinário Cardeal de Retz.