4.10.06

Tira-teimas.

Neste comentário a um texto de Helena Garrido, afirmei entre outras coisas que 6 em cada 10 euros dos nossos impostos se destinam a pagar ordenados a funcionários públicos. Essa afirmação, que retirei da imprensa económica, provocou reacções escandalizadas em alguns leitores, sem que no entanto alguém me tivesse apresentado valores alternativos. Ontem, no programa O estado da Arte, Paulo Portas afirmou exactamente o mesmo: 60% dos nossos impostos destinam-se a pagar ordenados da função pública - a média europeia, acrescentou ele, são 40%. Bem me parecia que não tinha percebido mal.

Com valores diferentes, mas não menos preocupantes, Medina Carreira publicou aqui um post designado "O estado à deriva", em Agosto de 2004. O texto, com mais de dois anos, deve ser lido integralmente. No entanto quero destacar estas duas afirmações:

  • PORTUGAL é o país da UE/15 em que os salários públicos absorvem uma maior fracção das contribuições e dos impostos cobrados: 45%, em 2002 (coluna 4).

  • PORTUGAL é o único país da UE/15 que gasta mais com os salários públicos que com as transferências sociais: 45% e 38%, respectivamente do NF (colunas 4 e 6).

FN significa aqui Nível de Fiscalidade. Os dados de Medina Carreira são, recordemos, de 2002. Chamo em particular a atenção para a segunda alínea, que é arrepiante. Talvez ela explique um pouco da pobreza que persiste entre nós.

E com isto dou por encerrado o assunto. Se algum leitor, particularmente anónimo, tiver vontade de protestar, agradeço que o faça com factos e números antes de me chamar demagogo ou outra coisa qualquer. Não é a insultar os que procuram a verdade que se protege quem quer que seja.

5 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Bem… eu sei que vossa mercê deu por encerrado o assunto, e que só autoriza a que se venha agora aqui com números. Mas, ainda assim, se desse licença, eu gostaria de perguntar o seguinte: Quando fala de “nossos”, em “nossos Impostos”, aqueles que se destinam a pagar os, com sua licença, funcionários públicos, fala de quem, de que grupo social ou profissional? Poderei integrar-me nele? De que requisitos necessito?

António

3:08 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

António, se tiver dados que desmintam esta percentagem agradeço que os apresente.

7:04 da tarde  
Anonymous Ricardo said...

Sem pôr em causa esses números, será correcto discutir défice e aplicação de dinheiros públicos sem ter em conta estes outros - http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=281221 – e sem os realcionar?

7:23 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Luis, não tenho esses números que pede. Nem sequer tenho números sobre a perda do poder de compra dos funcionários públicos desde há cerca de dez anos, apesar de eu próprio ser funcionário público. Quer números comparativos entre os funcionários públicos de outros paises e o nosso? quer saber quanto ganha um professor contratado, fora dos quadros, ou um em ínicio e meio da carreira, dos quadros, que são a grande maioria? quer ficar surpreendido? Quer saber quanto ganho eu, funcionário público há dez anos, como técnico superior de 1ª classe? Quer saber quanto ganha um hidrometista, que arrisca a vida por você a fazer medição de caudais? terá você alguma pachorra para todas estas merdinhas? Claro que não. Não o respeito, Luis. Não o respeitarei nunca enquanto você, do alto da burra, falar nos "nossos" impostos que servem apra pagar os "deles", os funcionários públicos, os parasitas que nem sequer pagam impostos, pois não. E, no entanto imagino que é para esse lado que você dorme melhor. Fique bem.

António

12:28 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

hã hã.

4:49 da manhã  

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