23.11.06

A "decadência" nórdica, III.

Antes de tudo devo esclarecer que não defendo a aplicação de um modelo económico de tipo nórdico em Portugal. Porquê? Porque Portugal já gasta mais em ordenados da função pública do que em políticas sociais, e essa asneira, ou melhor, esse crime, devia ser combatido antes de se procurar outro modelo, fosse ele qual fosse. Porque o Estado português incentiva a corrupção ou, o que é a mesma coisa, recusa-se a atacá-la - e eu não quero fortalecer um Estado corrupto. Porque a fuga ao fisco, apesar da evolução recente, não necessita de mais um encorajamento (que ocorreria, inevitavelmente, se os impostos aumentassem). Ou seja, porque a invocação do modelo nórdico, por alguns dos seus defensores na nossa paróquia, seria apenas outro pretexto para a bandalheira.

Dito isto, confesso que me irrita muito a sanha anti-nórdica da aliança liberal-conservadora que se passeia agressivamente pela nossa blogosfera. Portanto vou tentar demonstrar aqui, sempre que possível, o que há de fanatismo religioso e de má fé nesses ataques de insurgentes, blasfemos e outras criaturas de menor porte. Nos próximos tempos vou publicar links, dados e notícias sobre as economias nórdicas. Vou revelar-vos também um pouco da minha experiência nesses locais.

Hoje aproveito um post do João Pinto e Castro, a quem roubo uma magnífica citação de Postner sobre o rancor de Milton Friedman pela Suécia:

(...) I find slightly off-putting what I sensed to be a dogmatic streak in Milton Friedman. I think his belief in the superior efficiency of free markets to government as a means of resource allocation, though fruitful and largely correct, was embraced by him as an article of faith and not merely as a hypothesis. I think he considered it almost a personal affront that the Scandinavian nations, particularly Sweden, could achieve and maintain very high levels of economic output despite very high rates of taxation, an enormous public sector, and extensive wealth redistribution resulting in much greater economic equality than in the United States. I don't think his analytic apparatus could explain such an anomaly.

Reconhecem esta doença? Podem ler o artigo completo aqui.

4 Comments:

Blogger Joao Galamba said...

Caro Luis,

Eu próprio conheço a Suécia, Suecos (e Suecas)e um pouco do modelo desse país.Mas nada disso importa, pois o problema dos nossos liberais e da sua crença é a sua forte semelhança com a religião (e o marxismo ortodoxo) no que ao culto da pureza diz respeito. Nao interessa se x´s indicadores ou a realidade do pais sao positivos. A pureza nao faz concessoes e a Liberdade (a deles) é barómetro e luz absoluta na avaliaçao de qualquer realidade. Que interessa eles só trbalharem no máximo oito horas e terem tempo livre de qualidade, passarem a vida nos largos uns com os outros (nós gostamos muito de nos achar gregarios e desvalorizar os nordicos, mas a realidade parece desmentir o mito), terem tempo para os filhos, terem uma conflitualidade social que devia envergonhar qualquer pais dito civilizado. Que importa que a participacao politica se situe acima dos oitenta por cento (sem obrigatoriedade de voto), etc...O que parece ser realmente importante é que Singapura esteja a ultrapassar a suecia e coisas do género...

Deixe estar, Luís. Quando a luz cega não há muito a fazer

Um abraço,
Joao Galamba

2:27 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Nem mais, João.

7:22 da manhã  
Blogger Tarzan said...

Parabéns pela iniciativa. Aguardo por essas postas.

11:10 da manhã  
Blogger AA said...

His advocacy of school vouchers, the volunteer army (in the era in which he advocated it--which we are still in), and the negative income tax demonstrates the fruitfulness of his master micreconomic insight that, in general, people know better than government how to manage their lives. But perhaps not always.

Curiosamente é o que também dizem os ditadorezinhos de Singapura...

...falta a Posner demonstrar (é impossível, bem sei, daí que seja tão fácil e gratuito concluir como ele faz) é que com um Estado menos pesado e a Economia não intervencionada e fenomenalmente aberta (em comparação com a Europa central e meridional), os suecos e a Suécia não estaria melhor.

O que eles pensam— são factos que não podemos ignorar—, tem sido reflectido em eleições e nas sucessivas reformas do seu welfare state...

9:52 da tarde  

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