28.11.06

A "decadência" nórdica, IV.

Todos sabemos que Singapura, apesar do regime despótico, é um éden resplandecente do mercantilismo; que o Chile, com pouco mais de três mil mortos (uma bagatela na história da humanidade) se transformou num radioso farol da causa liberal; e que os países nórdicos chafurdam, como bem merecem, numa decadência pinguça, sem esperança nem remédio, há mais de cinquenta anos. Pelo menos é isso que nos repetem todos os dias Blasfemos & Insurgentes nos seus importantes blogs e nas páginas fecundas da revistinha Dia D.

Já o The Economist, na sua projecção para 2007, conta-nos uma história um pouco diferente. A bíblia dos liberais fez uma série de perguntas simples: quais dos países escandinavos ainda se encontram, depois de tanta decadência, nos primeiros lugares mundiais da competitividade, do produto per capita, da democracia e dos índices de felicidade dos seus cidadãos? A resposta está no quadro que mostro a seguir. Lembrem-se: se o país ocupar os primeiros dez lugares mundiais numa categoria, tem direito a um boneco sorridente, caso contrário, mesmo que esteja no 11º, leva uma criaturinha azul cheia de cólicas.

Eis o resultado:



Depois disto, não resisti: fui à World Database of Happiness, a fonte usada para fazer a última coluna do quadro, e procurei o lugar ocupado por Singapura no ranking da felicidade: o trigésimo terceiro. E onde está o Chile, a próspera, a magnífica, a exemplar nação chilena? No trigésimo sétimo lugar. O liberalismo, leitores, só nos aponta bons exemplos.