29.11.06

Plágio em Albion?

Ian McEwan foi acusado de copiar trechos da obra de Lucilla Andrews, uma escritora romântica, no seu penúltimo livro. O escárnio deve ter chegado a níveis prodigiosos em Canonbury e Charing Cross Road, se por lá ainda existirem livrarias. Entretanto, com a maldade típica do meio, o Times Online dedica-se a revelar excertos incriminadores dos livros de Andrews e McEwan:

Reading between the lines

Excerpts from Atonement (Ian McEwan)

“. . . she had already dabbed gentian violet on ringworm, aquaflavine emulsion on a cut, and painted lead lotion on a bruise . . .”

“. . . practising blanket baths on life-size models — Mrs Mackintosh, Lady Chase, and baby George whose blandly impaired physique allowed him to double as a baby girl.”

“These bandages are so tight. Will you loosen them for me a little . . .There’s a good girl . . . go and wash the blood from your face. We don’t want the other patients upset.”

Excerpts from No Time For Romance (Lucilla Andrews)

“Our ‘nursing’ seldom involved more than dabbing gentian violet on ringworm, aquaflavine emulsion on cuts and scratches, lead lotion on bruises and sprains.”

“. . . the life-size dolls on which decades of young Nightingale nurses had learnt to blanket bath. Mrs Mackintosh, Lady Chase and George, a baby boy of convenient physique to allow him to double as a baby girl.”

“Go and wash that blood off your face and neck . . . It’ll upset the patients.”
Não acredito que isto fique por aqui.

4 Comments:

Blogger PC said...

Pois, é bem capaz de ser... Mas dá uma boa ideia do que é a escrita do Ian McEwan, não é? Compare-se só o ritmo do primeiro excerto, nas duas versões...

6:35 da tarde  
Blogger Luis M. Jorge said...

Quanto a isso não há dúvidas, PC. O homem ia ganhando dois booker.

8:35 da tarde  
Blogger PC said...

Isto levanta uma hipótese interessante - um delírio, claro.
Quem escreve melhor (em itálico) as ideias dos outros, pode ser acusado de plágio? E se a "autor-idade" (quer dizer, o específico da autoria) estiver nessa forma mais perfeita? Claro que o problema -o delírio - só pode surgir quando seja totalmente inadequado fazer uma citação da proveniência da ideia original, como acontece com a ficção.

3:58 da manhã  
Blogger Luis M. Jorge said...

Bem, se as cópias usaram as mesmas palavras do original, altreando-lhes o ritmo (como aqui acontece), parece-me uma coisa muito preguiçosa, mesmo que a cópia seja melhor que o original.

Depois, parece haver aqui um certo resrespeito por um "autor menor" (mas então, que diabo, porque é que o grande McEwan o iria copiar?)

No entanto, acredito que esta crise esteja a ser exagerada. Três frases não são nada: provavelmente, qualquer sujeito que escreva trezentas páginas, depois de uma longa investigação, copia sem querer alguma coisa.

Na escrita filosófica então, é uma tendência incontrolável. Os franceses copiavam-se escandalosamente quando faziam as suas "máximas e reflexões". Algum dos plagiados se importava com isso? Nunca.

10:54 da manhã  

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