16.12.06

Optimismo.

Ainda sou moderadamente optimista a respeito dos destinos do país. Por moderadamente quero dizer que o lugar de Portugal nas estatísticas internacionais (um bom critério para contrariar o bulshit que se ouve por cá) talvez não desça para além dos ocupados pelos países de Leste e pelas esforçadas nações pobres do Sudeste asiático. Sejamos francos: esta terra e o seu empertigado povo não merecem melhor.

A razão para tão desmesurada esperança no futuro é que as boas notícias, apesar de tudo, lá vão surgindo. Lembram-se como a TAP era um elefante branco, há cerca de dez anos? Hoje, aparentemente, dá lucro. Recordam-se como era difícil cobrar impostos no início deste século? Hoje em dia temos de enxotar os fiscais do ministério das finanças que tentam esvaziar os inocentes mealheiros das nossas criancinhas. Têm presente, na memória, como era caótica, inútil e venal a câmara de Lisboa? Continua tudo isso, mas pelo menos agora trabalham lá a senhora Nogueira Pinto e o advogado Sá Fernandes, que não concordam em nada mas são honestos e cumprem bem o seu papel.

A nomeação de Maria José Morgado para o processo apito dourado parece pertencer ao rol dessas boas notícias. Como não sou, nem quero ser, analista político, posso dar apenas uma razão para a minha confiança no futuro: o combate à corrupção em Portugal falhou sempre porque as pessoas que o encabeçaram não tinham as qualidades suficientes para o travar. Essas qualidades são: o nojo e a intolerância.

Portugal é um país de corruptos, porque os seus habitantes tendem a relativizar a corrupção: "eles" são maus mas os "outros" ainda são piores. Isso é peixe miúdo. Os grandes não apanham "eles"... Quantas vezes já ouvimos esta espécie de desabafos?

Ora, qualquer pessoa que seja virtualmente incorruptível manifesta um desprezo absoluto pela venalidade, um asco sem limites por quem o tenta comprar ou por quem se tenta vender, quer seja por um almoço ou por um milhão de euros. Para essa gente não pode haver contemplações.

Maria José Morgado tem esse desprezo. Parece ter também a energia e o espírito prático que aquelas tarefas exigem. Não vai ser fácil, mas acredito que daqui a um ano ou dois podemos ver os primeiros resultados do trabalho que agora lhe confiaram.

1 Comments:

Blogger nelio said...

também me pareceu bem. a mulher "tem-os" no sítio...

2:11 da manhã  

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