23.12.06

Os defensores do "não" e o espírito de Natal.

Uma das maiores moléstias de se viver em Portugal é o fatigante, e sempre tão católico, fervilhar de olhadelas censórias e vozinhas castradoras, aliadas a um casquinar nocivo, beato, enfadonho e reles.

A tendência enjoativa deste povo para reprovar quem quer que se coloque no caminho dos mais alarves preconceitos, há-de ser um mistério para os historiadores do futuro quando esta parvónia for um país europeu.

Até chegar esse século auspicioso, no entanto, terei de interromper o Natal para me aborrecer com gente como o André Azeredo Alves. Não é uma tarefa fácil, leitores: cada vez que encontro pela frente o André, sinto mais que um frio na espinha — sinto-me um tronco atravessado na via jubilosa da Reconquista Cristã. Ora, a história da Igreja e o fascínio do meu interlocutor pela Opus Dei levam-me a pensar, com certa apreensão, num pequeno auto-da-fé: a prudência dos parágrafos seguintes justifica-se, portanto, com o meu amor à pele.

Desta vez, o André assanhou-se por causa de um post da minha autoria sobre o aborto. Ao que parece (valha-nos Deus Nosso Senhor), eu não tratei os fetos de dez semanas com a dignidade que obviamente mereciam. Chamei-lhes criaturinhas, não maiores que um pequeno rato. Oh horror! Oh ignominia!

Sempre piedoso, o André fez logo um, não, dois posts a protestar contra a infâmia. Lesto a oferecer a outra face, chamou ao meu texto abjecto e repugnante. Um pobre agnóstico como eu sente-se esmagado com tantos exemplos de caridade cristã, ainda por cima na véspera de Natal.

Que devo fazer agora, André? Vou buscar o cilício? Chicoteio-me na cela? Visto um corpete de napa, um slip de leopardo, e despejo cera quente na carne viciosa enquanto recito, sim recito, oh sim! se recito, o Eclesiastes? Terei de ler o seu blogue, como mortificação? Diga-nos lá, meu caro, o que é que recomendam na Ordem para escapar às fúrias do Altíssimo e à famosa ira do beato Escrivá de Balaguer? Os seus leitores fiéis aguardam alvoroçadamente uma resposta.


Nota posterior:

Estimulado pela minha referência a pequenos roedores, saiu também da toca um tal Jorge Ferreira para embasbacar o mundo com a sua grande acutilância e elevado sentido de humor.

Quem é, perguntarão, este tal Jorge Ferreira? Aparentemente é uma espécie de João Gonçalves com talento a menos e uma Enciclopédia Verbo a mais. O resto — o azedume, a virtude ruidosa — são em tudo semelhantes ao original.

Como estou a embrulhar presentes, não perco mais tempo com o assunto. Sem desfazer na sua importante pessoa, Jorge — vá passear.

15 Comments:

Blogger f. said...

caro luís, já a ganhar fôlego para as alarvidades natalícias que me desejou (e que retribuo), sempre lhe digo que há gente que pelo seu elevadíssimo espírito e recorte literário e sobretudo pela elegância com que sem largar a sua inseparável tocha-de-acender-autos-de-fé se passeiam pelo mundo de olhos postos no céu e na vida com v grande, não merece uma letra, quanto mais uma linha, de um post seu.
é para estas ocasiões que a expressão 'abaixo de barata' (que o cão é um animal muito respeitável) se cunhou.e com baratas não se faz conversa, quanto mais com os que ficam abaixo delas. quanto muito, deseja-se-lhes um bom natal. fica sempre bem, e há sempre a hipótese de alguém lhes ofertar, nesta tão caritativa época, uns neurónios, uma dosezita de graça, e um pouco de vergonha.

2:21 da tarde  
Blogger Tarzan said...

«A tendência enjoativa deste povo para reprovar quem quer que se coloque no caminho dos mais alarves preconceitos, há-de ser um mistério para os historiadores do futuro quando esta parvónia for um país europeu.»

Vai-me desculpar mas é esta atitude que muitas das suas postas transpiram. A única diferença é o lado da barricada...

3:26 da tarde  
Blogger Tarzan said...

Ah! E... Bom Natal!

3:27 da tarde  
Blogger lusitânea said...

Vão passar o natal a Cuba junto dos fetos abortados que lá se produzem em escala industrial não sei para que fins...
Piores que baratas sim são os que pretendem tirar a VIDA a VIDAS INDEFESAS.Assassinos de bebés!

3:36 da tarde  
Blogger Luís Verão said...

Eu cá até acho os ratos fofinhos...

Esta gente, tão transbordante de moral e seculares valores católicos, pertence à franja socio-económica portuguesa que vai abortar a Badajoz em clínicas privadas.

As "Tétés", as "Tátás", etc., que se mostram tão chocadas por não meterem na prisão essas devassas que não têm dinheiro para ir a Badajoz, arriscando a própria vida para levar avante a decisão mais difícil das suas vidas, são o rosto da escumalha hipócrita, que cultiva a futilidade e a estupidez como padrões de decência e bons costumes.

Deus vos foda.

5:25 da tarde  
Blogger me said...

O Luís não percebeu a zanga! É tudo uma questão de igualdade! Andam tão empolgados na defesa das mulheres que queriam que o termo de comparação tivesse sido... uma "rata"!

Já agora, e porque na caixa de comentários do seu post "O coraçãozinho deles." lhe perguntam se não conseguirá ser um pai NORMAL, aqui lhe deixo umas dicas que fui descobrir no forumdafamilia.com. "Pais Maus" diz assim:

"Deus abençoe os pais maus!

Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei-de dizer-lhes:

- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?

- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.

- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.

- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: "Eu roubei isto ontem e queria pagar".

- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).

- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.

- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.

Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus ...que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:

- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.

- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E - não vão acreditar - os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.

- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.

- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.

- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.

- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.

- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.

- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.

- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.

- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.

Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos "maus pais", tal como os nossos pais foram»."

Isto é a sério? Se é, e parafraseando-o Luís, só consigo dizer "vão passear"!

7:16 da tarde  
Blogger JFTMMA said...

não se preocupe, esse "tal" jorge ferreira só tem o triplo do seu currículo. Parabéns pela oportunidade de falares com alguém substancialmente superior á custa da tão igualitária internet, o teu ego deve estar em alta, olha lembra-te que tu ao contrário de "outros" para teres projecção nacional precisas de te atirar da ponte vasco da gama.

10:40 da tarde  
Blogger Luís Verão said...

O post anterior alude a factos de extrema importância na realização de um ser humano enquanto ser espiritual: o currículo e a projecção nacional (ou outro tipo de projecção que não seja de escarretas).

O post anterior foi, obviamente, escrito por um idiota embusteiro, desses que medem a validade dos argumentos dos outros na medida directa do seu currículo e fama social. Atitude provinciana, que reflecte ignorância e confusão. São pessoas assim que dão validade à prática do aborto.

Estimo que Deus o foda, seu curriculo e "projector" ambulante.

3:50 da tarde  
Blogger JFTMMA said...

Caro verãozinho, você deve saber melhor que ninguém que quem nasceu rato não chega a jacaré...

5:03 da tarde  
Blogger Luís Verão said...

Caro fgdgsdgdfg, lamento informá-lo que deve ler alguns livros de História, que decerto o vão surpreender. Não queria estragar a sua complexa visão da realização humana, mas tenho muita pena...

Isso é verdade se compararmos um nascimento no Sudão com um na Europa. Dentro da nossa realidade isso é uma opinião retrógrada, que nem a minha avó sustenta.

Fui o primeiro a licenciar-me na minha família (transmontana e sem posses) e a emigrar para trabalhar numa Universidade estrangeira como investigador. E conheço centenas de exemplos análogos, actuais e outros tantos na História.

Se calhar, o amigo fsd9s'fs'df0s'dfs', pela sua nobre ascendência crê que tudo lhe advém do estatuto e que essa deveria ser a lei que compartimenta qualitativamente os homens. Talvez por que o furta a ter de justificar uma tão elevada discrepância entre estatuto (conferido) e a sua real qualidade como ser humano.

Para além disso, essa opinião é de uma foleirada careta... Agora somos bons porque nascemos bons e assim ficaremos? CHIÇA!Vá-se matar, seu imbecil endinheirado.

5:34 da tarde  
Blogger JFTMMA said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

2:29 da tarde  
Blogger JFTMMA said...

o Verãozito diz-nos que é de trás-os-montes. Poderia ser de qualquer parte do país ou do globo pois ratos estão em todo o lado...

2:34 da tarde  
Blogger António Pedro said...

Luís:

Esta posta vale nem que seja pelo último parágrafo (antes da "Nota Posterior"): dou por mim a rir sozinho quando me lembro dele. Graças a Deus (note-se a ironia) que ainda existe alguém que consiga fazer humor à custa da beatice bafienta desta gente. Um grande bem haja!

4:30 da manhã  
Blogger Filipe Alves said...

Este post é absolutamente nojento. Se é para discutir o aborto (ou deveria dizer "desratização"?), que se discutam argumentos sérios e de forma respeitosa em relação a quem pensa de forma diferente. Será pedir muito? Achincalhar as crenças religiosas dos outros é do mais baixo e reles que existe. Pior: é porco.

9:48 da manhã  
Blogger Nina permata sari said...

..................NICE.^_^v.................

11:56 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home