3.2.06

Valha-nos Deus, parte 2.

Era de esperar. Cada vez que se fala na intolerância islâmica saem logo vinte ou trinta bloquistas da sua toca para nos recordar a contra-reforma, a santa inquisição e o fardo do homem branco em geral. O triste exemplo que está na imagem é um cartaz do Je vous salue, Marie, o filme de Godard que fez espumar o Presidente da Câmara de Lisboa e as trémulas virgens do Patriarcado nos finais da década de oitenta. Porque é que o mostro aqui? Porque o Nuno Ramos de Almeida, do Aspirina B, julgou muito engraçado colocá-lo no seu blog por baixo da inteligente frase:
Estes muçulmanos são tramados: não respeitam a liberdade de expressão!
Já no Bichos Carpinteiros, a incansável Joana Amaral Dias, aparentemente refeita da sua fase soarista, revela-nos um anúncio proibido em Itália por abordar o famoso episódio bíblico em que doze apóstolas escassamente vestidas jantavam com um latagão.

Nenhum deles reconhece, no entanto, que o cerne da polémica não respeita tanto aos limites da liberdade de imprensa, como ao reforço físico desses limites. Vou ser mais claro: o problema não está só no protesto dos Ayatolás, mas principalmente no modo como os seus seguidores condenam, perseguem e matam jornalistas, escritores e realizadores europeus ao mesmo tempo que estão a protestar. E com franqueza, acho estranho que nem a tosca nonchalance do Nuno Ramos de Almeida, nem as sentenciosas evocações da Joana Amaral Dias tenham em conta esta pequena diferença.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

por cá só acontece na perseguiçao a arbitros d futebol ou a treinadores do futebol e afins

é a religion do povo portugues é outra

imagine-se antes de um jogo de futebol colocar uma caricatura ofensiva ao clube contrário no site. Isso é que ia ser.

1:10 da tarde  

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